Seguidores

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Rotary Club da Póvoa de Varzim - As coisas feitas

Rotary Club da Póvoa de Varzim

O Rotary Club da Póvoa de Varzim, nascido em 25 de maio de 1964, foi o vigésimo quarto clube português, tendo-lhe sido atribuído o número 12021 de inscrição em Rotary. Foi fundado com 29 membros, todos profissionais. A fundação do Rotary Club da Póvoa de Varzim foi impulsionada pelo Rotary Club de Matosinhos, nosso clube padrinho, e não decorreu sem resistência. Vivia-se num tempo em que a liberdade de expressão era uma perigosa figura de estilo. Uma frase sem sentido. Dizia-se, porém, que num clube rotário os seus membros poderiam exprimir as suas opiniões sobre os assuntos mais diversos. Era um clube de livre pensamento. Sem tabus. Havia membros da esquerda, da direita e do centro, católicos, não católicos e ateus. Foi essa liberdade que cativou os fundadores. De realçar que estavam sempre presentes o respeito mútuo e a tolerância com as convicções dos outros. Não foi pacífica na sociedade poveira, muito conservadora na época, a sua instalação. Mergulhado em boatos, tentou-se conotar o movimento com seitas secretas que “traziam todo o mal ao mundo”. Alguns clérigos, menos esclarecidos, pediam aos seus paroquianos que se afastassem desta “gente maldita”. Ressalve-se, todavia, a atitude corajosa do Monsenhor Pires Quesado que, sempre que era convidado aparecia e gostava de conviver com esse grupo que, segundo ele, era “um grupo de gente de bem”.
O primeiro Conselho Diretivo do Clube integrou os seguintes elementos: na presidência João Caetano Nunes Guerreiro, na vice-presidência Afonso Fernando, como secretários Aparício Faria Mariz e José Rodrigues Beja, no protocolo Rui Calafate e como tesoureiro Manuel Agonia Frasco. O primeiro rotário a ser convidado foi o presidente da Câmara, Tenente-Coronel Lauro de Barros Lima, que de imediato aderiu ao grupo liderado pelo 1º Presidente Dr. Nunes Guerreiro, notário na Póvoa. Acreditava ele num grupo de pessoas livres que se interessavam em servir a cidade e os seus cidadãos. Sujeitos a pressões, uns foram saindo, mas outros foram entrando e o Clube sobreviveu até hoje. Entretanto, criaram-se grupos de jovens, o Interact e o Rotaract, que comungavam os mesmos ideais rotários: «Servir sem pensar em si e Serviços à Comunidade, em busca da paz mundial.»
O Clube cresceu e notabilizou-se por relevantes serviços prestados. Fundou institutos de línguas, criou e patrocinou bolsas de estudo, distinguiu profissionais, entregou prémios aos melhores estudantes, criou a personalidade do ano, homenageou profissionais e artistas nacionais. No campo da saúde colaborou com instituições de solidariedade, fez rastreio do cancro gástrico e de saúde dentária. Na sua sempre presente valorização da cultura, ofereceu à cidade o busto de António Nobre, descerrou a placa de homenagem a José Régio e organizou inúmeras conferências culturais abertas à sociedade. Foi padrinho do Rotary Club de Vila do Conde. Estabeleceu clubes-contacto com Angoulême (França) e Copacabana (Brasil), fez conferências sobre os mais variados temas, desde a saúde à política e ciência, enviou livros para países de língua portuguesa, realizou conferências rotárias e encontros luso-brasileiros e, para além de outras realizações, criou em 2006 a Universidade Sénior do Rotary Clube da Póvoa de Varzim.
A Universidade Sénior do Rotary Club da Póvoa de Varzim é uma instituição sem fins lucrativos, fundada e gerida pelo Rotary Club. Visa favorecer a promoção pessoal e social dos cidadãos maiores de 50 anos em situação de inatividade profissional, proporcionando-lhes o acesso a novos saberes e experiências, em ambiente não formal de interação cultural e recreativa. Proporciona aprendizagens em diversas áreas do saber e experiências musicais, cénicas e gímnicas. Funciona de outubro a junho, com interrupções nos períodos de Natal e da Páscoa. Mais do que um projeto entre outros, esta iniciativa representa uma síntese particularmente feliz do espírito rotário. Dirigida a uma população frequentemente afastada dos circuitos formais de aprendizagem e em situação de inatividade profissional — a Universidade Sénior afirma-se como um espaço de continuidade, não apenas do saber, mas da própria participação social. A sua relevância não se esgota na oferta formativa. Ao proporcionar um ambiente estruturado de aprendizagem em áreas diversas, aliado a atividades culturais e artísticas — do canto coral à música tradicional, passando por grupos cénicos, a Universidade Sénior contribui para algo menos quantificável, mas talvez mais determinante: o combate ao isolamento, a valorização pessoal e a manutenção de uma vida ativa e integrada. O facto de funcionar maioritariamente com base em voluntariado qualificado reforça ainda mais a lógica de comunidade que lhe está subjacente. Ao longo dos anos, este projeto ganhou dimensão e identidade própria, tornando-se uma referência local e, em muitos aspetos, o rosto mais visível da ação do clube. Não apenas pelo número de participantes ou pela diversidade de atividades, mas pela forma como traduz, de modo concreto, o princípio rotário de “Dar de si antes de pensar em si”. Num tempo em que o envelhecimento populacional coloca desafios estruturais às comunidades, a Universidade Sénior surge como uma resposta pragmática e, simultaneamente, profundamente humana. Uma universidade que é a sua “menina bonita”, hoje com mais de 120 alunos e 19 professores voluntários que lecionam 21 disciplinas. Uma universidade que tem um grupo coral de excelente qualidade, uma Tuna Académica e grupo de Cavaquinhos.
A Universidade Sénior teve até ao momento os seguintes coordenadores: Comp.º Eduardo Barbas Albuquerque 2007-2008, Comp.º Serafim Afonso 2008-2013, Comp.º Miguel Loureiro 2013-2023 e Maestro José Abel Carriço desde 2023.
Entre os anos setenta e noventa do século XX, o Rotary Club da Póvoa de Varzim foi responsável pela organização de diversos encontros rotários de âmbito nacional e internacional, o que atesta o prestígio dos seus membros. Além disso, em várias ocasiões, rotários poveiros assumiram cargos dirigentes a nível distrital. Desde a fundação até hoje, foram dois os governadores que o Clube da Póvoa de Varzim deu ao Distrito: Carlos Evaristo de Sousa Baptista, – Engenheiro - Classificação - Cinema, Projeção, Sócio fundador e representativo, governador em 1973/74 e Manuel João Borges Madureira Pires, – Farmacêutico, Classificação – Farmácia, Sócio representativo, governador em 1993/94 e1997/98.
Não podemos deixar de referir o prémio Santos Graça que é atribuído todos os anos desde 1986, e com ele se pretende homenagear o patrono – o grande poveiro etnógrafo António dos Santos Graça – e mostrar o apreço em que temos o seu trabalho. Recebe este prémio, o aluno mais classificado do 12º ano de uma das escolas secundárias da sede do concelho, o prémio Dr. Josué Trocado (um grande musicólogo poveiro e um brilhante diplomata) é dado todos os anos desde 2012 e destina-se a distinguir o melhor aluno da Escola de Música da Póvoa de Varzim.
É este o invejável currículo do Rotary Clube da Póvoa nos seus sessenta e dois anos de vida. Os seus valiosos serviços à comunidade — sensibilizaram a autarquia a distinguir o Clube, no seu cinquentenário, com a Medalha de Reconhecimento Poveiro, grau ouro. 

Afonso Pinhão Ferreira,
Presidente do Rotary Club da Póvoa e Varzim (ano rotário 2025/2026)

Sem comentários: