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domingo, 3 de março de 2013

A palavra ao “Sócio Honorário” do Rotary Club do Porto, na III Conferência bidistrital - Portugal


Aos participantes na Conferência Interdistrital do Rotary Internacional, Exponor, 23 de fevereiro de 2013
D. Manuel Clemente, Bispo do Porto
Sobre a paz, disse Santo Agostinho que é a “tranquilidade da ordem” (A Cidade de Deus, XIX, 13) e julgo ser definição a reter nos nossos dias, para permanentemente a construirmos. Refiro uma ordem que significa justa ordenação de cada parte e não mera armadura exterior de segurança.
Disse “permanentemente a construirmos”, pois não é coisa garantida para sempre, quando aparentemente exista, nem nos dispensa de uma atuação constante, atenta e comprometida. Também se diz biblicamente que “a paz é obra (fruto) da justiça”.
Comecemos então pela justiça, virtude que nos manda “dar a cada um o que lhe é devido”. Felizmente muito se avançou no campo dos direitos formalmente reconhecidos, da segunda metade do século XVIII até aos nossos dias (Declarações de Direitos Norte Americana e Francesa, Declaração da ONU, 1948…). Mas não podemos esquecer que tais declarações demoraram e demoram muito a concretizar-se na prática das sociedades. Como infelizmente constatamos que, nos séculos XX e já XXI, se sucederam atrocidades várias e a uma escala nunca vista…
É realmente importante que, em termos de ideias e regras subscritas, tenhamos atingido aquelas plataformas de direitos. O contrário seria a descrença na natureza humana, como realidade básica e comum da nossa dignidade a salvaguardar e o regresso à lei do mais forte, ainda verificável aqui ou ali (demasiados “aquis” e “alis”, infelizmente).
Acontece que, neste ponto, se revelam as contradições da globalização crescente da vida mundial, fenómeno irrecusável mas ambíguo. Desde que o nosso Gama abriu a ligação marítima e direta entre a Europa e a Índia, coeva da “descoberta” europeia da América, a mentalidade geral foi olhando o planeta como um todo, ainda que cheio de contrastes - que eram outros tantos desafios a alargar o próprio conceito da nossa humanidade compartilhada. A revolução industrial, a busca de matérias-primas, o desenvolvimento dos transportes e das comunicações, agora instantâneas, tudo nos levou ao que somos hoje, como ideia e representação de nós mesmos, neste sentido “globais”.
Todavia, estes fatores que podemos considerar positivos, têm o seu lado problemático, quando tornam as sociedades mais “fracas” muito vulneráveis aos interesses externos, e quando nos fazem passar rapidamente demais do plano individual ao geral, sem ter em conta o que está mais ao pé e deve ser localmente resolvido. Usando linguagem evangélica, podemos dizer que está em causa precisamente o “próximo”, a proximidade ativa e responsável.
O horizonte geral que a globalização nos foi dando é inquestionavelmente um bem, propício até ao reforço da solidariedade internacional. Mas o alheamento do que diretamente nos rodeia põe em causa um outro princípio indispensável, a subsidiariedade, que sempre requer a participação de cada parte interessada, ou corpo intermédio, na resolução social que se pretenda. Só na conjugação da solidariedade geral com a subsidiariedade das partes se dá verdadeiramente a cada um o que lhe é devido – em termos de reconhecimento, oportunidade e estímulo -, ou seja, se garante a justiça, cujo fruto é a paz.
As repercussões são óbvias, em campos tão variados como as famílias, os grupos socioculturais de pertença, as associações de todo o género, as autarquias, as escolas e tudo mais de interesse público, etc. Se estas realidades – que são outras tantas dimensões da nossa personalidade e essência relacional forem desativadas por qualquer imediatismo generalizador, nacional ou multinacional que seja, a paz correrá graves riscos, porque nem se respeita a ordem correta das coisas nem se reconhece e proporciona a cada um o que lhe é devido.
Sem olhar negativamente demais para o nosso caso português, podemos detetar elementos positivos a este respeito, como sejam as concretizações associativas que perduram – sabe Deus com quanta abnegação de muitos! -, ou aparecem entretanto, com múltiplas incidências na sociedade e na cultura. – O que seria de nós, por exemplo, se, além do Estado Social que vai subsistindo quanto pode e temos certamente de defender e promover, faltasse esta capacidade demonstrada de atendermos mais espontaneamente às necessidades acrescidas?
Mas temos de reconhecer que a nossa vida coletiva se faz ainda e muito – crescentemente até? – do topo para a base, quando melhor seria que acontecesse, sobretudo ou também, das periferias para o centro. Do topo para a base, usando ainda terminologia de tipo vertical e descendente, típica de tempos e sociologias que afinal não estão tão ultrapassadas como julgaríamos…
Não foi assim há tanto tempo que se deixou de falar do “Senhor Governo”, que alguns pensavam ser realmente alguém que tudo decidia em sítio algo mítico (num “Terreiro do Paço”, que já nem o era desde o século XVIII…). E a mentalidade ainda se pode manifestar, de baixo ou de cima, mesmo em tempos felizmente democráticos e com eleições livres e periódicas.
É verdade que a mediatização geral da informação e da resposta pode potenciar tal facto, por dar a ideia de que as coisas se resolverão mais depressa, em ligação direta topo - base e vice-versa. A própria internacionalização ou mundialização de muitos aspetos da vida socioeconómica, política e até particular, parece requerer este tipo de atuações, indo logo a Bruxelas ou a Nova Iorque, passando ou não por Lisboa. Mas a pergunta deve fazer-se: - É assim, predominantemente assim, que se resolverão humanamente as coisas?
Pergunta tanto mais insistente, quando verificamos que o tratamento de qualquer assunto pelo geral dilui a densidade pessoal das sociedades e rapidamente desmotiva as cidadanias. Entre o topo e a base, quase nada sobra de intermédio, para não “atrasar” soluções nem perder tempo, como se o tempo nos fosse completamente exterior e não uma dimensão essencial do ser humano e relacional.
E o problema é deixarmos de ser sociedades propriamente ditas, isto é, grupos de “sócios”: palavra latina que se traduz por companheiros, colaboradores, pessoas entre pessoas e umas com as outras, para manter e alcançar desígnios comuns.
Não é uma fatalidade que tal aconteça. Afinal, basta-nos ser realistas e olharmo-nos como realmente somos, ao ritmo da vida que acontece. Geralmente, nem nascemos desvinculados nem crescemos anónimos, mas sim uns pelos outros, uns com os outros e uns para os outros, família a família, terra a terra, caso a caso. Crescemos e vivemos nas periferias das nossas delimitações e responsabilidades imediatas e inalienáveis, em recortes sociais mutuamente abertos e por isso relacionados com os centros comuns das nossas periferias mais amplas, nacionais ou internacionais que sejam. Mas assim mesmo somos e devemos ser. Por isso temos nomes e apelidos, irredutíveis a um numeral qualquer.
E é por isso, caros rotários, que tudo quanto aproxime e suscite solidariedades, ou ative proximidades, é vital para a paz e a harmonia pessoal e interpessoal. Numa ordem que não virá de fora, mas da conjugação vital de todos e de cada um, nas múltiplas expressões que a sociabilidade alcança. Quanto mais globais, mais participativos, para encontrarmos soluções à altura das atuais questões. Aliás, e humanamente falando, nunca nada se resolveu inteiramente sozinho.

domingo, 1 de agosto de 2010

Manuel Patrício, ex-Reitor da Universidade de Évora, parceiro em Rotary

"A corrupção é uma inumanidade que deve ser combatida sem contemplações"
Em todas as conferências em que foi convidado por Rotary, Manuel Patrício conseguiu encantar a audiência. Sobre ética, valores ou educação, o ex-Reitor da Universidade de Évora é mestre nas palavras e nas ideias.
O Rotary em Acção não quis perder, por isso, a oportunidade de conversar com o catedrático que encara a actual crise de valores com frontalidade, define-a e aponta caminhos para a resolver.
Diz que a ética tem que impregnar o futuro como a seiva impregna a árvore. Vivemos uma crise de valores? Ou acredita que a crise actual vai refinar os valores da sociedade?
A metáfora da seiva pressupõe que o futuro é a árvore. Sem seiva, a arvora morre. Com seiva insuficiente, a árvore debilita-se e pode vir a morrer. Com seiva envenenada, a árvore morre. Ora a ética é apresentada como sendo a seiva. Logo, a vida e a morte das sociedades humanas, e até da humanidade no seu todo, estão indissociavelmente ligadas à seiva, ou seja, à ética.
Há quem confunda a ética com a moral. Todavia, são diferentes. A ética representa o domínio dos princípios do comportamento dos seres humanos. A moral representa o domínio dos comportamentos propriamente ditos, dos costumes. Os costumes devem realizar os princípios éticos. A meu ver, vivemos uma época em que os costumes, os comportamentos individuais e sociais concretos, contrastam fortemente com os princípios éticos constitutivos do melhor da nossa cultura e da nossa civilização. A meu ver, estamos, pois, a viver uma profunda crise ao mesmo tempo moral e ética. Os valores éticos são nucleares. Mas há outros valores, para além dos éticos. Por exemplo: os valores cognitivos, os valores estéticos, os valores religiosos ou de sentido da vida. Afigura-se-me que a crise é global. E não apenas nas sociedades ocidentais, mas à escala planetária. É a humanidade que vejo em crise.
Mas, o que quer dizer ''crise'' ? … O termo crise vem do verbo grego clássico krinêin, que significa joeirar. Joeirar é separar o trigo do joio. É, pois, purificar. Pode acontecer que esta crise seja de crescimento da humanidade e esta saia mais limpa, purificada, da crise. É possível. É difícil. Temos que ajudar a peneira no seu trabalho.
Defende que a cultura e o património são importantes para fazer face à crise?
Presumo que, quando se refere ao património, está a pensar fundamentalmente no património imaterial e não nos bens materiais. O património imaterial é, penso eu, pode dizer-se que o património espiritual, cultural. Mas é aquele que nos foi legado pelos nossos irmãos humanos que nos antecederam. Irmãos e, na verdade, pais. Daí a palavra património: o legado dos pais. Somos herdeiros. Somos herdeiros culturais. Mas a cultura é como uma fonte: está sempre a nascer água nova. A humanidade está permanentemente a criar a cultura.
E o que é a cultura? A resposta que dou a esta pergunta situa-se no espaço filosófico de uma das grandes escolas neokantianas: a Escola de Baden, no Sudoeste alemão, cujas figuras fundadoras foram, no final do séc. XIX, Willelm Windelband e Heinrich Rickert. Sintetizarei. Distinguiram eles entre a Natureza e a Cultura. Digamos, para simplificar, que a Natureza é o que está aí frente ao olhar de Adão, o primeiro homem. Nada nela é fruto da actividade humana. A Cultura é aquela realidade que o homem, pelo poder criador do seu espírito, desde sempre acrescentou à Natureza. Exemplos: a Linguagem, a Arte, a Religião, a Técnica, a Ciência, a Filosofia, o Direito, a Política … Então eu defino a Cultura desta maneira: a Cultura é aquele domínio da Realidade que o Homem acrescenta à Natureza em virtude da actividade criadora do seu espírito. Basta, creio eu, iluminar os conceitos para concluirmos, sem margem para dúvidas, que é o poder criador do Homem que instaura na Natureza, no Cosmos, aquela realidade que é a Cultura. Nós consumimos Cultura, mas primeiro temos que a criar. A Cultura não é, na sua essência, um produto industrial e comercial, como os que só vêem o dinheiro aparentemente pensam. A Cultura é o brado do triunfo do Homem no Cosmos, na Natureza.
De que forma podem a solidariedade e os valores comunitários contribuir para o fim da crise?
Eu distingo o indivíduo humano da pessoa humana. O indivíduo só pensa em si; vive em função de si, exclusivamente; o outro é para ele ou a presa ou o instrumento, útil ou perigoso. A pessoa é individual mas não se confunde com o indivíduo. A pessoa pensa no outro, só realiza as suas potencialidades e os seus sonhos e ideais com o outro. A pessoa é, por definição, solidária. Ela não separa o seu bem do bem do outro. Os dois bens enlaçam-se. Assim, enquanto o indivíduo é em si mesmo egoísta, a pessoa é solidarista. Vejo presente esta maneira de ver e de viver no próprio coração do movimento rotário. Também distingo entre valores comunitários e valores societários. A palavra sociedade vem da ideia de sócio. O que liga os sócios é o interesse. Mas a palavra comunidade vem da ideia de comum. O que liga os membros de uma comunidade é o afecto, a amizade, o amor. O interesse é importante na vida da humanidade. Mas não pode sobrepor-se ao afecto, à amizade, ao amor. A crise actual tem a sua origem no interesse, na ambição material desmedida, na voracidade ávida do lucro. Portanto, tem de ser o afecto a superar a crise. Têm de triunfar os valores comunitários sobre os meros valores societários. É esta uma bússola para ultrapassar a crise em que estamos mergulhados.
Porque defende que não há educação sem valores?
Repare, desde logo, que a própria educação, no seu conceito mais geral, é vista e vivida como um valor. Todo o ser humano o sabe. Depois, é por meio da educação que nós vamos edificando o mundo humano dos valores. Dos valores vitais, ou de sobrevivência: o homem sobrevive tanto melhor quanto mais extensa e profunda for a sua educação, a sua aprendizagem. Dos valores práticos: é pela educação que o homem aprende a relacionar-se eficazmente com a realidade. Dos valores cognitivos: o conhecimento é um valor essencial para o ser humano. Dos valores éticos: o ser humano aprende, pela educação, a distinguir com acribia o certo do errado, o bem do mal, o que deve do que não deve fazer. Dos valores religiosos: o ser humano sabe que o absurdo o lança no vazio existencial e que o sentido é o que lhe garante a harmonia e reconciliação permanente com a vida. Pergunto: como pode a educação ser alheia aos valores? A autonomia, a liberdade, a dignidade, são valores de importância transcendente para o ser humano. A educação tem que promovê-los e comprometer-se activamente com eles.
O que está na origem da corrupção?
Desde logo: a possibilidade que o homem tem de ser mau, de escolher e seguir o mal. Depois: o facto de poder escolhê-lo e segui-lo. O mundo está cheio de coisas e situações que agradam à parte má do homem: à sua ambição desmedida; à sua vontade de ter, de possuir; à sua vontade de afirmação no mundo, vontade de poder; à sua vontade de gozo material e dos sentidos; ao seu instinto de destruição; à sua inclinação para a falsidade e a mentira; ao seu fascínio pelo horror; à sua vaidade e ao seu orgulho; etc.; etc.; etc.. O corrupto é o corrompido, o apodrecido, o insano. É o homem que vive desvinculado dos valores éticos, que são os da seriedade, da honestidade, da lealdade para com o outro, os companheiros humanos. O corrupto também é o grande mentiroso, o grande falsário, que faz o mal aos outros e o nega com o maior desplante. O corrupto é um monstro, a corrupção é uma monstruosidade. Na origem da corrupção está ao mesmo tempo um egoísmo louco e um desprezo imenso, total, pelo outro, pelo outro que é o companheiro ou irmão humano. A corrupção é, no fundo, uma inumanidade. Deve ser combatida sem contemplações.
Que juízo ético e político faz sobre o funcionamento das instituições democráticas em Portugal?
Não estou satisfeito. Parece-me, de resto, que é este um sentimento bastante generalizado no universo dos cidadãos portugueses. A Justiça funciona mal, a Saúde funciona mal (o risco de colapso do Serviço Nacional de Saúde é real), a Educação funciona mal, as Finanças continuam a ser a ditadura instalada por Salazar em 1928, a insegurança é cada vez maior, o poder legislativo (a Assembleia da República) não é autónomo, sendo claramente condicionado pelo poder executivo (o Governo), o poder Judicial também acusa o mesmo condicionamento e limitações no respectivo exercício, o Presidente da República, que é o Chefe do Estado, não preside de facto à República, não pode realmente chefiar o Estado, o poder político na sua globalidade deixou-se capturar pelo poder económico e financeiro, a corrupção campeia, a impunidade é chocante. Onde pára a ética republicana, que ninguém a vê? Falo como cidadão, tenho o direito e o dever de falar livremente, de dizer o que penso. Falo com a intenção de contribuir para a melhoria da democracia portuguesa.
Acredita que o profissionalismo e a ética podem contribuir para uma diminuição da corrupção?
O mal está generalizado e é profundo. Parece-me que o profissionalismo – ou seja, a competência profissional e a assumpção ética da profissionalidade - são importantes, mas insuficientes para curar o cancro da corrupção que corrói o organismo do País. Os políticos devem apresentar propostas fortes ao povo, para que ele vote como é necessário e seja possível resolver democraticamente o grave problema que a corrupção representa.
Acredita que a falta de ética em Portugal é cada vez mais acentuada?
O mal tem vindo a crescer e atingiu proporções antes impensáveis. Mas também quero acreditar que o País dispõe de tradições éticas e de uma consciência dos valores suficientemente sólida para recusar a sua própria degradação axiológica, enfrentando o problema e resolvendo-o. Não nascemos ontem. Nascemos há quase um milénio. A Europa pode reconhecê-lo ou não, mas somos o Estado-Nação mais antigo do continente, facto que é motivo de orgulho e indubitavelmente nos honra. O regresso a padrões elevados de vida ética triunfará, acredito. Mas temos de lutar por isso.
Texto daqui

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Conferência de Rotary do Distrito 1970

Educação e cooperação em análise em Vila Real
"A definição de Rotary é muito simples. Rotary é gente. Gente que trabalha para outra gente, com outra gente". Palavras de Luís Vicente Giay, convidado de honra da XXVII Conferência do Distrito 1970 que durante três dias (28 a 30 de Junho) ocupou a Aula Magna da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. A cidade de Vila Real recebeu rotários de todo o país para o maior evento anual do movimento e que este ano, sob a liderança do Governador Manuel Cordeiro, teve como tema principal a educação e a cooperação.
Luís Vicente Giay, Argentino, representou o Presidente do Rotary Internacional em Vila Real. Uma das figuras mais importantes do Rotary a nível mundial, sendo que já presidiu ao Rotary Internacional e à Rotary Foundation. Giay tem uma visão global e positiva do futuro do movimento: "Todas as semanas em Rotary há 33 mil púlpitos como este onde se expressam ideias com liberdade e onde também se trabalha. Quando as vontades se unem para combater a fome, as doenças, etc., é o ideal rotário que está a triunfar. É um ideal que conjuga o senso comum, o trabalho em favor dos demais, a ética".
Muitos dos projectos nacionais e internacionais do Rotary foram enunciados e explorados em Vila Real. O maior projecto, End Polio Now, não foi esquecido, mas muitos outros foram expostos a todos os presentes. Também as representantes distritais de Rotaract e Interact demonstraram o trabalho feito pelos clubes dos mais jovens ao longo do último ano rotário.
Educação em Timor
João Aparício
João Aparício No primeiro painel dedicado à educação e à cooperação, o timorense João Aparício falou, em representação da embaixada de Timor em Portugal, sobre um país que "tem ainda muito trabalho pela frente. A maior dificuldade do país na educação é a falta de formação efectiva dos professores". A questão da língua portuguesa em Timor esteve no centro do debate, mas João Aparício lembrou que vão ser criados em Díli mais quatro pólos da Escola Portuguesa.
A ideia é melhorar a qualidade do ensino e firmar a língua portuguesa. Com uma representação real do presente mas positiva do futuro, o timorense acredita que daqui a 10, 15 anos, o seu país vai ser diferente: "Foi agora aprovado o Estatuto da Universidade de Timor Lorosae, que vai ter sete faculdades e quatro centros de investigação científica". O trabalho do Rotary em Timor também não foi esquecido, como um projecto concretizado em conjunto com a Diocese de Baucau.
Cooperação Portuguesa na educação
Anacoreta Correia
Anacoreta Correia O Embaixador Anacoreta Correia abrilhantou a manhã de sábado na conferência em Vila Real. Com uma perspectiva muito clara sobre a sociedade, na qual associa sempre educação a desenvolvimento, acredita na essência da cooperação. "O acesso à escolaridade e formação profissional são pedras basilares de qualquer estratégia de desenvolvimento. Maior coesão social e maior emprego estão associados à educação", afirmou, realçando sempre que os destinatários devem estar envolvidos no processo.
Anacoreta Correia, que já presidiu ao Instituto da Cooperação Portuguesa, lembrou que Portugal coopera com os PALOP e Timor em todos os planos da educação (do básico ao universitário), sendo o secundário o mais abrangido. Cabo Verde é um exemplo desse apoio. Em tempos Portugal enviou professores que por lá ficaram cerca de cinco anos. Dez anos depois Cabo Verde já não precisa dessa ajuda, já tem autonomia.
No que diz respeito ao Rotary, deixou alguns desafios: "Na minha opinião, poucas organizações têm esta força para melhorar a qualidade de vida das populações ou promover a paz. Porque não aproveitar esta mais-valia para realizar projectos de cooperação nos PALOP como, por exemplo, apoiar continuamente uma escola envolvendo a comunidade. Isto levaria muitos outros a dar de si antes de pensar em si".
Em defesa da educação
Manuel Patrício
Manuel Patrício Manuel Patrício, ex-Reitor da Universidade de Évora, dirigiu-se mais uma vez aos rotários, desta vez para falar de educação: "Não é possível conceber o Homem sem educação. Mas esta não pode significar adestramento, amestramento, endoutrinamento e muito menos lavagem cerebral". Sempre com o conceito de personalização bem presente, Manuel Patrício defende que educar é ajudar o outro a tornar-se pessoa. No entanto, acredita que "a educação está sem rumo, carece de estratégia entre nós. Aposta-se no que é quantitativo em prejuízo do que é qualitativo. A disciplina escolar deixa muito a desejar e impera o facilitismo.
O problema da educação não é solucionável fora da resolução de todos os outros problemas sociais. É integralmente sistémico". O ex-Reitor lembrou os riscos e as vantagens de uma educação globalizada e defende que "deve gerir-se cuidadosamente a globalização. A educação deve representar o esforço da humanidade para a sua dignificação. A vida dos Homens deve ser verdadeiramente humana e não o está a ser".
Cooperação
Chris Gerry
Chris Gerry Chris Gerry, presidente da Escola de Ciências Humanas e Sociais da UTAD apresentou aos rotários alguns dos princípios da cooperação: "Coopera-se através da partilha altruística e harmoniosa de recursos, activos, competências e /ou oportunidades. Cooperação é complicada, complexa, contraditória".
Texto daqui - Fotos daqui

terça-feira, 1 de junho de 2010

Luís Vicente Giay, representante do PRI na XXVII Conferência do Distrito 1970

"Rotary é merecedor do Prémio Nobel da Paz"

Luís Vicente Giay, Argentino, presidiu ao Rotary Internacional no ano de 1996/97. Defensor dos ideias rotários e da afirmação do movimento como uma organização líder entre as que realizam o bem em favor dos demais, em entrevista ao Rotary em Acção fala essencialmente do futuro e dos novos desafios que o Rotary enfrenta.
Vai representar o Presidente de Rotary Internacional na XXVI Conferência do Distrito 1970. O que espera desse encontro dedicado ao tema "Educação e Cooperação"?
Espero que as discussões aumentem ao máximo o conhecimento e dedicação dos rotários num ponto tão vital para a sobrevivência da humanidade como é a Educação. E com a ajuda da cooperação do Rotary e de outras organizações será possível alcançar os propósitos delineados para esta questão.
O ano em que foi Presidente de Rotary Internacional tinha como lema "Construa o Futuro com Acção e Visão". Mais de dez anos depois, como encara os principais desafios que o Mundo atravessa, especialmente no que diz respeito à paz e aos direitos humanos?
Os desafios levantados, não só durante a minha presidência, continuam a ser um grande desafio para o trabalho de todos os rotários. O tema da Paz Urbana, por exemplo, que em 1996-97 foi um dos grandes temas de trabalho, continua a ser um problema crescente em todo o mundo. Obviamente que os vícios, as alterações de ordem, a falta de uma estrutura social para os jovens de hoje, tudo torna este problema ainda mais difícil. Chegamos a um tal ponto em que, para sobressair, um indivíduo já não precisa de um currículo mas de um registo criminal, tal é a deturpação na interpretação dos valores por parte da sociedade actual.
No que diz respeito aos direitos humanos às vezes dói ver como em muitos países protegem delinquentes ou indivíduos subversivos, em vez de cuidarem de um modo e estilo de vida regido pela justiça, democracia e paz.
Defendeu já que os primeiros 105 anos de Rotary foram muito bons para o movimento e consequentemente para o mundo. Quais são agora os principais objectivos do Rotary para o futuro?
O grande desafio que o Rotary tem para o futuro é continuar a ser uma organização líder entre as que realizam o bem em favos dos demais. Os reconhecimentos que tem alcançado e recebe são uma prova de que este papel é importante e necessário para o futuro da humanidade, quanto mais não seja para manter o valor da justiça e a permanência do amor entre os seres humanos como bem se diz na frase "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados e deles é o reino dos Céus".
Assim, e na minha visão pessoal, o grande papel do Rotary é o de se manter à frente na civilização do conhecimento e nas frente das organizações. Esse é o seu destino e está nas nossas mãos colocá-lo no seu devido lugar.
O projecto de erradicação da Pólio é a grande bandeira do Rotary neste momento. Sugeriu que o próximo grande programa de Rotary deveria ser centrado na educação das crianças e das mulheres. Porquê?
Hoje Rotary tem o seu programa corporativo da Pólio Plus e devemos continuar com ele até ao final. Há muitas sugestões sobre quais poderiam ser as actividades ou programas que sucederiam a este esforço extraordinário que foi realizado.
Teria duas formas de poder responder a esta questão:
1)  Desejam os rotários embarcar noutro programa similar a Pólio Plus no futuro, quando este compromisso terminar? e 
2)  estou de acordo que seria oportuno centrar-se num programa educativo para as mães e suas crianças, para poder criar melhores condições de vida nas suas casas, dar formação aos cidadãos dos nossos países, e também seria bom que, ao adoptar um trabalho na área educativa, o Rotary deixe de ser uma organização demasiado orientada para a saúde.
Porque acredita que o Rotary deveria receber o Prémio Nobel da Paz?
O Rotary Internacional e a sua Fundação, sem dúvida alguma, têm méritos de sobra para receber este reconhecimento. Até mesmo o Wall Street Journal, num dos seus editoriais de Abril de 2006, ao referir-se ao trabalho de Rotary na erradicação da Poliomielite disse: "Rotary é merecedor do Prémio Nobel da Paz". Mas este prémio tem o seu júri e este é que toma as decisões. O Rotary receberia este prémio merecidamente.
Como vê o Plano Visão de Futuro da Rotary Foundation? Acredita que as mudanças são essenciais para um melhor apoio aos mais desfavorecidos?
O Plano Visão de Futuro é fruto do sucesso da Rotary Foundation. Todos os dias os rotários têm uma maior demanda de apoio para realizar os seus projectos e não tenho dúvidas de que com o passar dos anos os mais necessitados serão os primeiros beneficiados por estas mudanças em curso.
Quais acredita que devem ser as principais prioridades da Rotary Foundation nos próximos anos?
Fundamentalmente manter-se proactiva face aos problemas que existem na humanidade e procurar posicionar-se definitivamente como uma entidade filantrópica de primeira magnitude.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

XXVII Conferência do Distrito 1970


É já este mês, em Vila Real
Clique aqui para ver o Programa da Conferência
E porque se vai falar de Educação, nada melhor do que ir preparado, para não ser "manipulado" pela ortodoxia vigente.
Para ver legendas em português, escolha em View Subtitles

sábado, 8 de maio de 2010

Conferências Distritais

Uma Conferência de rotários é realizada anualmente em cada Distrito, em data e local escolhidos de comum acordo com o Governador e os Presidentes da maioria dos clubes. As datas da Conferência não devem coincidir com as datas do Instituto Rotary, Assembleia Distrital, Assembleia Internacional ou Convenção do RI. O Conselho Director do RI incentiva os Distritos a realizar as Conferências Distritais no primeiro semestre do ano rotário.
Propósito
O propósito da Conferência distrital é fomentar o Objectivo do Rotary através do companheirismo, discursos motivadores e debates de assuntos referentes ao RI, que sejam relevantes para os clubes, principalmente tópicos especiais sugeridos pelo Conselho Director do RI ou pelo próprio Distrito. O evento serve para divulgar programas rotários e actividades dos Clubes e do Distrito, além de possibilitar a interacção entre os Clubes. Por ser a Conferência Distrital uma oportunidade para ajudar a manter estável e promover o crescimento do quadro social no Distrito, as informações devem ser apresentadas de forma motivacional e em clima de companheirismo.
Durante a Conferência, os participantes podem endossar ou elaborar uma proposta para o Conselho de Legislação ou eleger o Representante do Distrito para tal evento.
Local
Os Distritos são incentivados a realizar as Conferências Distritais em locais que incentivem o comparência do maior número possível de rotários, sem causar despesas desnecessárias.
Requisitos
Durante a Conferência Distrital deve-se:
1) proporcionar ao Representante do Presidente do RI a oportunidade de fazer no mínimo dois discursos (sendo um deles de 20 a 25 minutos de duração, durante o evento da Conferência que contar com a presença do maior número de participantes, inclusive cônjuges) e um breve pronunciamento por ocasião da conclusão da Conferência, em sinal de apreço ao Distrito anfitrião;
2) discutir e adoptar o relatório financeiro aprovado por auditoria no ano rotário anterior;
3) nomear, para os dois anos rotários antes da realização do Conselho de Legislação, o representante do Distrito para tal evento, a menos que o Distrito adopte o procedimento de comissão de indicação;
4) aprovar a taxa per capita distrital, se esta não tiver sido aprovada na Assembleia Distrital ou no Seminário de Treino de Presidentes Eleitos (PETS) de clube;
5) eleger o membro da Comissão de Indicação que seleccionará o membro do conselho director do RI.
Recomendações
A Conferência Distrital deve:
• ter duração de 2 ou 3 dias;
• incluir grupos de discussão;
• ter uma programação balanceada, com a maioria das apresentações tratando de assuntos rotários e da Rotary Foundation;
• considerar resoluções distritais;
• dar as boas-vindas a novos rotários, rotários que estão a participar da Conferência Distrital pela primeira vez, Presidentes de clube e outras pessoas, conforme apropriado;
• incluir na programação apresentação de voluntários que tenham participado em actividades do Rotary e da Rotary Foundation;
• promover a próxima Conferência, encorajando inscrição antecipada;
• manter preços acessíveis para obter participação máxima;
• evitar coincidir com outras datas importantes;
• incentivar a comparência às sessões plenárias de todos os inscritos, e cuidar para não planear outros eventos para o mesmo horário;
• reservar espaço para a exposição de projectos de clubes e do Distrito;
• reconhecer a experiência do Representante do Presidente do RI, envolvendo-o nos grupos de discussão e outras sessões;
• organizar evento especial de orientação para novos rotários;
…do Manual de Procedimento - Edição de 2007
Foto de Conferência no Albert Hall, em 1929