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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 1 de setembro de 2025
terça-feira, 14 de maio de 2013
segunda-feira, 6 de maio de 2013
A mensagem do Dr. José Manuel Silva
A convite do Rotary Club da Póvoa de
Varzim, o Bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, esteve na noite
de 30 de maio na cidade, para falar sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS). O Bastonário
garantiu que este “está de boa saúde”
e é sustentável, lembrando que não existe mais espaço para cortes nesta área.
A reunião do clube rotário local
contou com a palestra de José Manuel Silva, que atraiu rotários, médicos e
interessados que ouviram o bastonário defender que “o SNS é o melhor serviço público português, proporciona-nos excelentes
indicadores de saúde, não exclui, à partida, nenhum cidadão e tem um custo
médio, per capita muito abaixo do da OCDE. Ou seja, temos um serviço de
extraordinária qualidade, a baixo custo, e é por isso que digo que é um serviço
inequivocamente sustentável”.
O Doutor José Manuel Silva fez, a meu
ver, uma exposição fiel à sua personalidade, procurando uma defesa judiciosa
das suas convicções.
Começou por lembrar que as questões da
Saúde a todos nos dizem respeito, como seres humanos que somos.
Referiu como segunda causa do aumento
dos custos da saúde, a maior exigência das pessoas que eleva o consumismo,
e como principal causa a Evolução Tecnológica.
Alertou para a dificuldade da
Humanização da Saúde... "A
Humanização não se faz por decreto, tem que estar na genética, dos
profissionais e das pessoas em geral".
Defendeu a sua convicção quanto à sustentabilidade
do SNS... e para isso apresentou dados da OCDE de 2009: Despesa do SNS, per capita, abaixo da média europeia;
Em Outubro de 2012, os cidadãos
portugueses "pagavam directamente do
seu bolso" mais do que a média da OCDE;
Noutros Indicadores da Qualidade, tais
como, a média de dias de Internamento nos hospitais, dos menores da OCDE;
Mortalidade Infantil, das menores do
mundo...
E mencionou os EUA como "um óptimo exemplo de um mau
exemplo"…
Na sua opinião devemos exportar o
modelo do SNS, e não médicos e enfermeiros...
(Notas
de uma assistente)
Um obrigado enorme ao Dr. José Manuel Silva, que veio diretamente do Algarve para esta palestra, que informou os presentes e deixou uma marca de orgulho em cada um, pela excelência do SNS que temos, apesar das contingências e pelas competências dos seus agentes.
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| Saudação às bandeiras com o Bastonário na bandeira de Rotary |
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| Apresentação do palestrante pelo Comp. Dr. Proença Fernandes |
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| O Bastonário defendendo o SNS e a sua sustentabilidade, com dados |
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| O Comp. António Carlos Leite, Presidente do RCPV, entregando lembranças ao Dr. José Manuel Silva |
Um obrigado enorme ao Dr. José Manuel Silva, que veio diretamente do Algarve para esta palestra, que informou os presentes e deixou uma marca de orgulho em cada um, pela excelência do SNS que temos, apesar das contingências e pelas competências dos seus agentes.
sábado, 13 de abril de 2013
As promessas e o balanço de um mandato

José Manuel Silva é o Bastonário da Ordem
dos Médicos no triénio 2011/2013 e falou das medidas de âmbito interno e do
foro externo que irá implementar, avisando que a Ordem estará "aberta a todos os médicos e aos
doentes".
Ordem com influência política
"No
âmbito interno é a reorganização e a revisão dos estatutos da Ordem dos
Médicos, tornando a ordem mais democrática, mais participada, mais inclusiva e
mais funcional",
avançou.
Já a nível externo, o objetivo do novo
bastonário é "constituir a Ordem
como um parceiro credível, respeitado e com capacidade de influência política
naquilo que são as decisões, todas as decisões, na área da saúde".
José Manuel Silva referiu ainda as
questões da atualidade "para
analisar com o Ministério da Saúde". "Em cima da mesa, estão as questões de prescrição eletrónica,
prescrição por DCI (Denominação Comum Internacional), da demografia médica e da
qualidade da medicina portuguesa face aos constrangimentos económicos do
país", sintetizou.
Organização construtiva na defesa dos doentes
O Bastonário dos médicos destacou
ainda que a Ordem "será uma
organização construtiva (...) na defesa dos doentes". "Queremos ser uma organização
construtiva e vamos assumirmo-nos como o garante intransponível da defesa da
qualidade dos cuidados de saúde que são prestados aos doentes", sublinhou
para concluir: "Pretendemos defender
o Serviço Nacional de Saúde enquadrado dentro de um sistema nacional de saúde
coerente e funcionando em alternativa e complementaridade com os doentes, que
passarão a ser para a Ordem dos Médicos um parceiro de diálogo permanente".
domingo, 31 de março de 2013
Programa de abril
A todo momento cada
um dos 34.216 Rotary Clubs está a prestar algum tipo de serviço na sua
comunidade ou mesmo internacionalmente. De acordo com a estrutura do Rotary,
cada clube trabalha independentemente na ampla rede que nos apoia e inspira.
Uma importante peça desta rede é a Rotary World Magazine Press, composta
da The Rotarian e de 31 revistas regionais em 25 idiomas.
É por isso que todos
os rotários (1.214.714) devem fazer a assinatura da The Rotarian ou
de uma das revistas regionais (a nossa “Portugal Rotário”). Essas publicações
trazem notícias de outros clubes e dos 538 Distritos, proporcionam ideias para
projetos e evidenciam o vínculo que temos com os nossos companheiros rotários.
John Kenny – Presidente
2009/10 de Rotary International
quinta-feira, 28 de março de 2013
No outro lado do Atlântico, em Niterói
O
Presidente do Rotary Club da Póvoa de Varzim fez recuperação numa visita ao Rotary
Club de Niterói, um momento muito especial, numa reunião em que estiveram presentes
5 past-governadores e em que fazia parte da ordem de trabalhos uma palestra
sobre bullying, proferida pela Professora
Doutora Joana Mariano.
Depois
da intervenção do nosso presidente, em que falou do nosso clube e da Póvoa de
Varzim, houve troca de galhardetes, presentes e muita gentileza.
As
fotos registam alguns momentos.
domingo, 3 de março de 2013
A palavra ao “Sócio Honorário” do Rotary Club do Porto, na III Conferência bidistrital - Portugal
Aos participantes na Conferência
Interdistrital do Rotary Internacional, Exponor, 23 de fevereiro de 2013
D. Manuel Clemente, Bispo do Porto
Sobre a paz, disse Santo Agostinho que
é a “tranquilidade da ordem” (A
Cidade de Deus, XIX, 13) e julgo ser definição a reter nos nossos dias, para
permanentemente a construirmos. Refiro uma ordem que significa justa ordenação
de cada parte e não mera armadura exterior de segurança.
Disse “permanentemente a construirmos”, pois não é coisa garantida para
sempre, quando aparentemente exista, nem nos dispensa de uma atuação constante,
atenta e comprometida. Também se diz biblicamente que “a paz é obra (fruto) da justiça”.
Comecemos então pela justiça, virtude
que nos manda “dar a cada um o que lhe é
devido”. Felizmente muito se avançou no campo dos direitos formalmente
reconhecidos, da segunda metade do século XVIII até aos nossos dias
(Declarações de Direitos Norte Americana e Francesa, Declaração da ONU, 1948…).
Mas não podemos esquecer que tais declarações demoraram e demoram muito a
concretizar-se na prática das sociedades. Como infelizmente constatamos que,
nos séculos XX e já XXI, se sucederam atrocidades várias e a uma escala nunca
vista…
É realmente importante que, em termos
de ideias e regras subscritas, tenhamos atingido aquelas plataformas de
direitos. O contrário seria a descrença na natureza humana, como realidade
básica e comum da nossa dignidade a salvaguardar e o regresso à lei do mais
forte, ainda verificável aqui ou ali (demasiados “aquis” e “alis”,
infelizmente).
Acontece que, neste ponto, se revelam
as contradições da globalização crescente da vida mundial, fenómeno irrecusável
mas ambíguo. Desde que o nosso Gama abriu a ligação marítima e direta entre a
Europa e a Índia, coeva da “descoberta”
europeia da América, a mentalidade geral foi olhando o planeta como um todo,
ainda que cheio de contrastes - que eram outros tantos desafios a alargar o
próprio conceito da nossa humanidade compartilhada. A revolução industrial, a
busca de matérias-primas, o desenvolvimento dos transportes e das comunicações,
agora instantâneas, tudo nos levou ao que somos hoje, como ideia e
representação de nós mesmos, neste sentido “globais”.
Todavia, estes fatores que podemos
considerar positivos, têm o seu lado problemático, quando tornam as sociedades
mais “fracas” muito vulneráveis aos
interesses externos, e quando nos fazem passar rapidamente demais do plano
individual ao geral, sem ter em conta o que está mais ao pé e deve ser
localmente resolvido. Usando linguagem evangélica, podemos dizer que está em
causa precisamente o “próximo”, a
proximidade ativa e responsável.
O horizonte geral que a globalização
nos foi dando é inquestionavelmente um bem, propício até ao reforço da
solidariedade internacional. Mas o alheamento do que diretamente nos rodeia põe
em causa um outro princípio indispensável, a subsidiariedade, que sempre requer
a participação de cada parte interessada, ou corpo intermédio, na resolução
social que se pretenda. Só na conjugação da solidariedade geral com a
subsidiariedade das partes se dá verdadeiramente a cada um o que lhe é devido –
em termos de reconhecimento, oportunidade e estímulo -, ou seja, se garante a
justiça, cujo fruto é a paz.
As repercussões são óbvias, em campos
tão variados como as famílias, os grupos socioculturais de pertença, as
associações de todo o género, as autarquias, as escolas e tudo mais de
interesse público, etc. Se estas realidades – que são outras tantas dimensões
da nossa personalidade e essência relacional forem desativadas por qualquer
imediatismo generalizador, nacional ou multinacional que seja, a paz correrá
graves riscos, porque nem se respeita a ordem correta das coisas nem se
reconhece e proporciona a cada um o que lhe é devido.
Sem olhar negativamente demais para o
nosso caso português, podemos detetar elementos positivos a este respeito, como
sejam as concretizações associativas que perduram – sabe Deus com quanta
abnegação de muitos! -, ou aparecem entretanto, com múltiplas incidências na
sociedade e na cultura. – O que seria de nós, por exemplo, se, além do Estado
Social que vai subsistindo quanto pode e temos certamente de defender e
promover, faltasse esta capacidade demonstrada de atendermos mais
espontaneamente às necessidades acrescidas?
Mas temos de reconhecer que a nossa
vida coletiva se faz ainda e muito – crescentemente até? – do topo para a base,
quando melhor seria que acontecesse, sobretudo ou também, das periferias para o
centro. Do topo para a base, usando ainda terminologia de tipo vertical e descendente,
típica de tempos e sociologias que afinal não estão tão ultrapassadas como
julgaríamos…
Não foi assim há tanto tempo que se
deixou de falar do “Senhor Governo”,
que alguns pensavam ser realmente alguém que tudo decidia em sítio algo mítico
(num “Terreiro do Paço”, que já nem o
era desde o século XVIII…). E a mentalidade ainda se pode manifestar, de baixo
ou de cima, mesmo em tempos felizmente democráticos e com eleições livres e
periódicas.
É verdade que a mediatização geral da
informação e da resposta pode potenciar tal facto, por dar a ideia de que as
coisas se resolverão mais depressa, em ligação direta topo - base e vice-versa.
A própria internacionalização ou mundialização de muitos aspetos da vida
socioeconómica, política e até particular, parece requerer este tipo de
atuações, indo logo a Bruxelas ou a Nova Iorque, passando ou não por Lisboa.
Mas a pergunta deve fazer-se: - É assim, predominantemente assim, que se
resolverão humanamente as coisas?
Pergunta tanto mais insistente, quando
verificamos que o tratamento de qualquer assunto pelo geral dilui a densidade
pessoal das sociedades e rapidamente desmotiva as cidadanias. Entre o topo e a
base, quase nada sobra de intermédio, para não “atrasar” soluções nem perder tempo, como se o tempo nos fosse
completamente exterior e não uma dimensão essencial do ser humano e relacional.
E o problema é deixarmos de ser
sociedades propriamente ditas, isto é, grupos de “sócios”: palavra latina que se traduz por companheiros,
colaboradores, pessoas entre pessoas e umas com as outras, para manter e
alcançar desígnios comuns.
Não é uma fatalidade que tal aconteça.
Afinal, basta-nos ser realistas e olharmo-nos como realmente somos, ao ritmo da
vida que acontece. Geralmente, nem nascemos desvinculados nem crescemos
anónimos, mas sim uns pelos outros, uns com os outros e uns para os outros,
família a família, terra a terra, caso a caso. Crescemos e vivemos nas
periferias das nossas delimitações e responsabilidades imediatas e
inalienáveis, em recortes sociais mutuamente abertos e por isso relacionados
com os centros comuns das nossas periferias mais amplas, nacionais ou
internacionais que sejam. Mas assim mesmo somos e devemos ser. Por isso temos
nomes e apelidos, irredutíveis a um numeral qualquer.
E é por isso, caros rotários, que tudo
quanto aproxime e suscite solidariedades, ou ative proximidades, é vital para a
paz e a harmonia pessoal e interpessoal. Numa ordem que não virá de fora, mas
da conjugação vital de todos e de cada um, nas múltiplas expressões que a sociabilidade
alcança. Quanto mais globais, mais participativos, para encontrarmos soluções à
altura das atuais questões. Aliás, e humanamente falando, nunca nada se
resolveu inteiramente sozinho.
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
USRCPV: “Os Serviços Públicos Essenciais”
Decorreu
na Universidade Sénior do
Rotary Club da Póvoa de Varzim, uma palestra sobre “Os Serviços Públicos Essenciais”, proferida por Pedro Sousa,
Diretor do Tribunal do Vale do Ave (Triave).
![]() |
Serafim
Afonso (USRCPV), Pedro Sousa (TRIAVE) e Ana Paula Azevedo (CIAC)
|
A
iniciativa, organizada pelo Centro de Informação Autárquico ao Consumidor –
CIAC – do Município, em parceria com o Centro de Arbitragem de Conflitos de
Consumo do Vale do Ave – TRIAVE e com a Universidade Sénior do Rotary Club da
Póvoa de Varzim, tinha como objetivo informar os alunos sobre alguns dos seus
direitos relativamente à prestação dos serviços públicos essenciais.
Pedro
Sousa referiu-se a vários aspetos como: fornecimento de água, de energia
elétrica e de gás; serviços de comunicações eletrónicas (telefone, internet, TV);
serviços postais; serviço de saneamento e serviço de recolha de lixo.
Esclareceu
os presentes sobre alguns dos seus direitos relativamente à prestação dos
serviços públicos essenciais, alertando para os cuidados a ter na contratação
desses serviços, nomeadamente os períodos de fidelização.
O
Diretor do TRIAVE referiu-se ainda a situações contratuais, bem como a forma e
os meios de resolverem os conflitos que digam respeito a estes serviços. De
acordo com a Lei nº 6/2011 que estabelece a criação de um mecanismo de
arbitragem necessário no acesso à justiça por parte dos utentes de serviços
públicos essenciais: “Os litígios de consumo no âmbito dos serviços públicos
essenciais estão sujeitos a arbitragem necessária quando, por opção expressa
dos utentes que sejam pessoas singulares, sejam submetidos à apreciação do
tribunal arbitral dos centros de arbitragem de conflitos de consumo legalmente
autorizados. Quando as partes, em caso de litígio resultante de um serviço
público essencial, optem por recorrer a mecanismos de resolução extrajudicial
de conflitos suspende-se no seu decurso o prazo para a propositura da ação
judicial ou da injunção.” (Diário da República, 1.ª série —n.º 49 — 10 de Março
de 2011).
Para
além dos vários esclarecimentos prestados, foram discutidos casos práticos
apresentados pela assistência.
E
porque o município reconhece a importância da comunidade se manter informada,
lembramos que existe, no edifício dos Paços do Concelho, um Centro de
Informação Autárquico ao Consumidor – CIAC que tem como missão promover e
salvaguardar os direitos dos consumidores e tem ainda as seguintes funções:
Prestar
informação aos consumidores;
Receção
e acompanhamento das reclamações;
Realizar
a mediação de conflitos de consumo;
Promover
ações de informação e sensibilização junto das escolas, das associações ou de
grupos sociais;
Encaminhar
os consumidores ou as respetivas queixas para as entidades competentes para a
sua resolução quando a mediação não resulte ou não seja da sua competência.
O
Rotary Club da Póvoa de Varzim e a Direção da sua Universidade Sénior agradecem
aos intervenientes a disponibilidade e espera enveredar por ações do mesmo
cariz.
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Universidade Sénior
terça-feira, 27 de novembro de 2012
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Palestra "A INDÚSTRIA TEXTIL EM PORTUGAL"
Hoje, às 21h:30m, reunião com palestra subordinada ao tema "A INDÚSTRIA TEXTIL EM PORTUGAL", proferida pelo Dr. JOÃO COSTA, Presidente da ATP-Associação Textil e Vestuário de Portugal e nosso Companheiro.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
sexta-feira, 18 de maio de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
domingo, 13 de maio de 2012
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Senioridade e Velhice na Mudança Social
Conferência proferida pelo
Professor Doutor Salvato Trigo na Sessão Solene de Abertura do Ano Letivo da
Universidade Sénior da Póvoa de Varzim
SENIORIDADE
E VELHICE NA MUDANÇA SOCIAL
Lúcio Séneca, nas suas Cartas, aborda
a velhice e a brevidade da vida. O nosso Padre António Vieira também o fez nos
seus Sermões, especialmente, o da Quarta-feira da Quaresma. É, pois, bem antigo
o assunto da velhice, mas este conceito tem o relativismo próprio de quem o
observa. Florbela Espanca, a poeta alentejana, fá-lo no dramatismo do seu dizer
poético, prenunciador da tragédia da sua fugaz e intensa vida.
Porque estamos na Universidade Sénior
“Florbela Espanca”, invoquemos essa alentejana no dramatismo do seu dizer
poético prenunciador da tragédia de sua fugaz e intensa vida.
Citemos o soneto “Velhinha”:
“Se os que
me viram já cheia de graça,
Olharem bem
de frente para mim,
Talvez,
cheios de dor, digam assim:
«Já é
velha! Como o tempo passa!»
Não sei rir
e cantar por mais que faça!
Ó minhas
mãos talhadas em marfim,
Deixem esse
fio de oiro que esvoaça!
Deixem
correr a vida até ao fim!
Tenho vinte
e três anos! Sou velhinha!
Tenho
cabelos brancos e sou crente…
Já murmuro
orações…falo sozinha…
E o bando
cor-de-rosa dos carinhos
Que tu me
fazes, olho-os indulgente,
Como se
fosse um bando de netinhos…”
Estranho certamente nos parecerá que a
voz poética se afirme velhinha nos seus vinte e três anos, todavia já marcados
pelos sinais do tempo invernal da vida, como diria Hipócrates, que associava a
velhice ao Inverno e à idade de 56 anos.
Aristóteles, mais radical, achava que
a velhice começava aos 50 anos, enquanto Santo Agostinho, mais generoso, via-a
apenas aos 60 anos e, no séc. VI, um discípulo deste, Isadoro de Sevilha,
concedia que a velhice só se iniciava aos 70 anos.
Florbela Espanca olhava-se velhinha já
aos vinte e três anos, o que conjugado com as opiniões filosóficas anteriores
poderá sustentar, desde já, a nossa conclusão de que a velhice não é
aionicamente ou evicamente fixada, isto é, não existe uma idade fixa para se
proclamar a vetustez.
Escutemos, entretanto, mais um poeta,
também ele cantor do tempo que deixa marcas em nós. Refiro-me a Rui Knopfli,
poeta luso-moçambicano que embalou seus ritmos nas monçanas águas do Índico.
Assim cantava Knopfli, no seu poema “O
Velho”:
“Não
envelheço. Torno-me antigo.
O Velho
sempre viveu em mim,
sempre o
pressenti no olhar
magoado
demorando-se nas coisas,
em certa lentidão
não premeditada
dos gestos
e nas lembranças confusas
de uma outra
recuada idade.
Sempre
aflorou na mão e na estima
triste que
se estende aos amigos,
na aresta
de desconsolo que espreita
as minhas
horas de amor.
O Velho
sempre viveu em mim.
Eis que,
enfim, o reboco
se lhe
começa a assemelhar.”
Retenhamos a metáfora do reboco a
assemelhar-se à velhice que transparece, para invocarmos Espinosa que definia o
corpo, em sua obra Ética-Parte I, deste modo: “Um corpo é um pedaço de natureza
cuja fronteira é a pele.”
Mas a pele, diz a sabedoria da oratura
africana, “é só o embrulho da alma”, por isso ela esconde tantas vezes
dimensões espirituais e humanas, imperscrutáveis à sensorialidade visual.
Há, como se vê, um semantema comum
entre Espinosa e a sageza negra, na justa medida em que algumas outras
proposições da Ética consideram a indissociabilidade do corpo e da mente.
A proposição n.º 15, por exemplo,
afirma que “A mente humana é capaz de perceber um grande número de coisas, e
fá-lo na proporção em que o seu corpo é capaz de receber um grande número de
impressões.”
E, na proposição n.º 22, Espinosa
acentua ainda mais a função da mente: “A mente humana percebe não só as
modificações do corpo, mas também as ideias de tais modificações.”
Ao considerar indissociável o corpo da
mente e esta, a um tempo, mortal como aquele e, todavia, eterna, não na acepção
temporal da eternidade ou dum tempo sem tempo, mas somente na dimensão de
substância, Espinosa permite-nos compreender melhor a ideia de que a velhice do
corpo não é concomitante da velhice da mente.
Aqui introduziríamos, portanto, a
distinção necessária entre senioridade e velhice, isto é, a diferença entre o
amadurecimento psíquico ou mental (senioridade) e o definhamento biológico
(velhice), em que a pele, como fronteira do corpo, nos revela as marcas
temporais da idade do enrugamento que o saber da experiência feito sulcou, ao
mesmo tempo que nos aconchegamos numa liberdade interior que a memória nos
permite degustar.
A senioridade, como escrevia Knopfli,
torna-nos antigos, mas não forçosamente velhos. Antigos, porque já nos foi
possível tornar o futuro em passado, isto é, já vivemos factos, situações,
espaços e tempos que nos ajudam a relativizar a importância, o interesse e o
valor das coisas.
A senioridade suplanta em nós a
juventude ou a verdura e imaturidade na relação com os outros, na vivência no
nosso habitus, como queria Bourdieu. Ser sénior é ser senhor, é assenhorear-se
do tempo e da relação existencial com os outros a quem se dá segurança pelo modo
como se olha para o mundo. Um modo tranquilo e demorado de ver, uma “lentidão
não premeditada nos gestos e nas lembranças confusas / de uma outra recuada
idade”, como Knopfli poetava, tenha sido essa idade real ou imaginada como
projecção de nós.
A senioridade conduz-nos à senescência
(senescĕre do verbo senĕre = estar ou ser velho) como pórtico de uma nova idade
em que a veterania assoma, apresentando-nos à velhice, como o último ciclo da
vida que nos prepara para o rito de passagem de cá para lá, para que outra vida
possa vir de lá para cá.
É aquele rito de passagem que Platão
tão bem glosou no diálogo Fédon ou da imortalidade da alma, no qual realça a
importância decisiva da morte para a vida, tal como os povos Etruscos já a
entendiam ao cunharem o conceito de munthus, espécie de túnel por onde se vem
do além, do não existente, para o aquém, para o existente, assim se
justificando a vida com a expressão “dar à luz”. Se se vem à luz, é porque se
parte das trevas, ou seja, a vida é extraída da morte, em acto do mais puro
naturismo em que toda a semente só frutifica depois de morrer, depois de
sepultada ou enterrada.
Esse conceito etrusco do munthus
originou o latino mundus, donde tiramos o nosso termo mundo, como significando
o lugar onde se existe, onde tudo existe. Por isso, também dizemos “vir ao
mundo”, para cumprirmos o ciclo vital na roda incessante do tempo como o
intervalo entre o antes e o depois.
É nesta compreensão do tempo que cada
um constrói a sua senioridade, porque esta é, de facto, uma construção pessoal,
individual, em que a nossa casa da vida é feita de materiais mais ou menos
nobres, mais ou menos duradouros, em função do capital de cultura que soubermos
aforrar para investir no momento certo.
A velhice, essa, é uma construção
social, hoje transformada numa instância de germinação dos discursos políticos
e de civilização de comportamentos, infelizmente tão distante da nossa própria
matriz civilizacional, seja ela a greco-latina seja a judeo-cristã. Nesta,
todos nos recordamos da função dos patriarcas; naquela, sabemos bem do papel
dos anciãos e dos senadores.
Foram matrizes em que a velhice era
venerável e politicamente considerada como estádio superior da existência
humana e, como tal, almejável. Em que a velhice era estruturante da organização
social, depositária não só da autoridade pública que o viver mais e, portanto,
o saber mais lhe conferiam, mas também dum estatuto não apenas de referência
outrossim de interpretante do futuro.
É nesta acepção de interpretante do
futuro que vemos investida a célebre figura do Velho do Restelo que Camões
consagrou na nossa própria tradição histórico-cultural:
“Mas um
velho, de aspeito venerando,
Que ficava
nas praias, entre a gente,
Postos em
nós os olhos, meneando
Três vezes
a cabeça, descontente,
A voz pausada
um pouco alevantando,
Que nós no
mar ouvimos claramente,
Cum saber
só de experiência feito,
Tais
palavras tirou do experto peito.”
O Velho do Restelo, todavia, não foi
escutado e as naus do Gama lá seguiram para Calecute, assim iniciando temerariamente
uma história trágico-marítima cheia de “fumos da Índia”, como chamou Afonso de
Albuquerque ao nevoeiro de riquezas que toldou a visão ao rei D. Manuel I, a
partir de cujo reinado, Portugal começou definitivamente a entristecer, ao
mesmo tempo que “o Velho do Restelo” se transformava na metáfora da nossa
fatalidade de desvalorizar a sabedoria daqueles que já viveram o futuro que é
agora o presente dos jovens.
Com o Velho do Restelo tão enquistado
na retórica política, não nos apercebemos da degradação semântica que a noção
concreta de idade trouxe ao conceito nobre de velhice.
Tal degradação inicia-se de forma mais
avassaladora quando, em França no séc. XVI, a idade passa e ser critério de
classificação. Isso ocorreu, porque se começou a registar civilmente os
nascimentos que, antes, eram somente objecto de registo paroquial.
A partir de então, as pessoas começam a
ter idade civil e a existência condicionada, física e psicologicamente, por um
calendário e não mais pelas estações do ano e pelos eventos vários da Natureza
ou da vida social que as integrava.
Dir-se-ia, regressando a Espinosa, que
se separava, por via disso, a mente do corpo, deixando esta de constituir uma
única substância contida numa forma acidentalmente mutável.
Era-se velho, porque se havia atingido
ou ultrapassado a idade convencionada para o início da velhice. E, todavia,
tudo isto era alegoricamente contrariado pelo Velho Testamento e pelos seus
livros do Genesis e do Exodus, em que os patriarcas e, desde logo, Moisés viviam
centenas de anos fecundos.
E, no entretanto, hoje, cada vez mais
olvidados dessas leituras genesíacas, hipervalorizamos a velhice dos objectos e
hipovalorizamos a das pessoas. Àquela conferimos a prestabilidade da decoração
invidiosa ou de ostentação social; a esta, à velhice das pessoas, vemo-la como
imprestável e socialmente pesada e esconsa.
É esta tecnologia da inversão dos
valores que nos vai diminuindo em humanidade e nos torna culturalmente mais
pobres, transformando a velhice quase exclusivamente numa questão de Estado,
não para dela beneficiar do seu conhecimento e das suas competências, antes,
para a tratar como um ónus para a sociedade e permitir que sobre ela se tenha
estereotipado o discurso político.
Essa estereotipia começou, porém, no
séc. XVII, como se comprova pela simples consulta do dicionário de Richelet. Aí
se diferencia a “ velhice masculina” e a “velhice feminina”, sendo que a
velhice dos homens é positivamente valorada por atributos morais e a das
mulheres, pejorativamente pelos aspectos físicos.
Richelet, entretanto, considerava que
quer a mulher quer o homem são velhos depois dos 40 anos e até aos 70 anos, mas
enquanto os homens são agradáveis na sua velhice, as mulheres tornavam-se
“fastidiosas, encarquilhadas, barulhentas”.
Indiferente ao dicionário de Richelet,
o chanceler Bismark, em 1886, estabeleceu na Europa a reforma aos 65 anos,
dando, assim, início a uma cultura social aiônica ou évica, em que a idade
acabou por ser violentadora da nossa relação com os outros e, portanto, geradora
de estereótipos discursivos ou de linguagem.
Para vermos como a linguagem pode ser
traiçoeira em estereótipos da velhice, bastará pensarmos na distorção que
alguns fazem ao ligarem, por falsa etimologia, a palavra “velho” (do lat. vetulus)
à palavra “velhaco”.
Na aparência gráfico-fonética,
parecerá aos incautos que existe algum parentesco entre velho e velhaco,
quando, em rigor filológico, velhaco pensa-se que radique no celta *bakallakos
(pastor, camponês), derivando daí também o francês bachelier “bacharel”; antes,
“jovem que ainda não é cavalheiro”.
Nesta acepção semântica, existe, como
se vê, uma antonímia entre “jovem” e “cavalheiro”; vale dizer que o
cavalheirismo é uma daquelas dimensões da senioridade, porque construção de nós
próprios, que nos torna mais estimados na velhice, aquela idade em que, nas
sociedades hierarquizadas, se ganha o estatuto gerontocrático ou do poder dos
mais idosos.
Mas esse poder não se determina por
qualquer manifestação democrática, antes se conquista pelo respeito e pela
autoridade que os menos idosos reconhecem a quem a “universidade da vida”
formou pelo trabalho honesto e dedicado, por exemplo, à ética ou aos valores
individuais de comportamentos solidários.
É poder que os povos de Bambara, na
África ocidental, traduzem eloquentemente no aforismo: “Em África, quando morre
um velho, enterra-se uma biblioteca!” Fica-se, portanto, mais pobre.
E entre nós: não haverá, antes, mera
reacção de alívio, de desoneração da voz do sentimento ofuscado pelo
racionalismo egoísta? Que aproveita, hoje, a nossa sociedade do saber de
experiência feito, como cantava Camões, daqueles que têm na memória dos tempos
os registos do que vale e do que não vale a pena viver?
E ao mesmo tempo que têm a memória do
passado, umas vezes saudosa, outras revoltada, também têm alguns deles a
memória do futuro desejado para os netos, para quem os avós deveriam voltar a
ser mais avós e menos amas, mais pedagogos (no sentido etimológico da palavra
grega de orientador de crianças) e interventivos na construção da personalidade
e do carácter que, moldados na primeira infância com rigor, gerarão
necessariamente cidadãos mais conscientes da função que devem ter na mudança
social e na transformação positiva da sociedade onde nos cabe viver.
Olhar para os avós na perspectiva de
que a sua denominação carinhosa significa aqueles que vieram antes e que
receberam de trás os ensinamentos e valores de vida a que chamamos vulgarmente
“tradição” (trahěre> traditio), isto é, aquilo que transportamos connosco do
passado para antecipar o futuro, ligando as duas dimensões do tempo (esta,
fictiva; aquela, factual) em que se sustenta a moral, ou seja, o respeito pelos
bons costumes, sendo destes o mais sublime o mandamento maior da nossa
humanidade cristã: amar o próximo como a si mesmo, depois de honrar o pai e a
mãe!
Só assim, na vivência plena da
liberdade para amar e ser amado, sem a coisificação do amor, antes no respeito
pela idiossincrasia do outro, que é sempre um outro e nunca a metade dum nós,
porque não há caras-metades, naquele sentido em que ou se tem a cara toda que é
a nossa ou não se tem e, então, é-se descarado, só assim, sem anulação do outro
por um eu possessivo, como se a pessoa fosse um objecto que se tem para uso
exclusivo ou para vantajosa transacção, só assim, poderemos ajudar com a nossa
senioridade e velhice tranquilas à mudança social que urge ser feita, para que
viver em sociedade não seja, como às vezes parece, punição do criador, antes, a
fruição do intervalo que nos coube para existirmos.
Se antes não puderam fruir tanto e tão
bem o vosso intervalo existencial, aproveitem agora este tempo de universidade
sénior para franquearem a fronteira do pedaço da natureza que é o corpo, na já
vista acepção da ética de Espinosa, deixando que por essa raia, que é a pele,
se liberte a vossa espiritualidade, o lado de dentro do vosso eu, que,
certamente, envolto em silêncio sabe que, se falar livremente com o corpo,
envelhecerá mais tranquila e pausadamente.
A senioridade está em nós, mas a
velhice está apenas no olhar de quem nos vê. Ser velho é uma inevitabilidade
biótica: estar velho é uma maleita pessoal de todos aqueles que desprezam Eros,
o deus da Vida, para deixarem livre acesso à insinuação das Parcas.
É necessário, para nos curarmos dessa
maleita, um choque cultural? Não o adiemos mais, porque o país está a fenecer
de pessimismo, de falta de alegria de viver, e nós precisamos de não continuar
agarrados à grandeza do que fomos, sonhando com distâncias e impérios,
insinuados pelo mar que tanto nos atrai para sulcarmos águas que Pessoa, na
Mensagem, sentia salgadas das lágrimas de Portugal!
Navegar é preciso, já não nas salsas e
lacrimosas águas do império, que se desfez, mas no mar interior de nós,
buscando um bom porto para acostar a nossa memória e imaginarmos outras
partidas, porque viver também é preciso, como Fernando Pessoa tão bem soube
dizer! Mas chorar não é preciso!
Gaudeamus, igitur! (Portanto, alegremo-nos!)
Salvato
Trigo
domingo, 1 de agosto de 2010
Manuel Patrício, ex-Reitor da Universidade de Évora, parceiro em Rotary
"A corrupção é uma inumanidade que deve ser combatida sem contemplações"
Em todas as conferências em que foi convidado por Rotary, Manuel Patrício conseguiu encantar a audiência. Sobre ética, valores ou educação, o ex-Reitor da Universidade de Évora é mestre nas palavras e nas ideias.
O Rotary em Acção não quis perder, por isso, a oportunidade de conversar com o catedrático que encara a actual crise de valores com frontalidade, define-a e aponta caminhos para a resolver.
Diz que a ética tem que impregnar o futuro como a seiva impregna a árvore. Vivemos uma crise de valores? Ou acredita que a crise actual vai refinar os valores da sociedade?
A metáfora da seiva pressupõe que o futuro é a árvore. Sem seiva, a arvora morre. Com seiva insuficiente, a árvore debilita-se e pode vir a morrer. Com seiva envenenada, a árvore morre. Ora a ética é apresentada como sendo a seiva. Logo, a vida e a morte das sociedades humanas, e até da humanidade no seu todo, estão indissociavelmente ligadas à seiva, ou seja, à ética.
Há quem confunda a ética com a moral. Todavia, são diferentes. A ética representa o domínio dos princípios do comportamento dos seres humanos. A moral representa o domínio dos comportamentos propriamente ditos, dos costumes. Os costumes devem realizar os princípios éticos. A meu ver, vivemos uma época em que os costumes, os comportamentos individuais e sociais concretos, contrastam fortemente com os princípios éticos constitutivos do melhor da nossa cultura e da nossa civilização. A meu ver, estamos, pois, a viver uma profunda crise ao mesmo tempo moral e ética. Os valores éticos são nucleares. Mas há outros valores, para além dos éticos. Por exemplo: os valores cognitivos, os valores estéticos, os valores religiosos ou de sentido da vida. Afigura-se-me que a crise é global. E não apenas nas sociedades ocidentais, mas à escala planetária. É a humanidade que vejo em crise.
Mas, o que quer dizer ''crise'' ? … O termo crise vem do verbo grego clássico krinêin, que significa joeirar. Joeirar é separar o trigo do joio. É, pois, purificar. Pode acontecer que esta crise seja de crescimento da humanidade e esta saia mais limpa, purificada, da crise. É possível. É difícil. Temos que ajudar a peneira no seu trabalho.
Defende que a cultura e o património são importantes para fazer face à crise?
Presumo que, quando se refere ao património, está a pensar fundamentalmente no património imaterial e não nos bens materiais. O património imaterial é, penso eu, pode dizer-se que o património espiritual, cultural. Mas é aquele que nos foi legado pelos nossos irmãos humanos que nos antecederam. Irmãos e, na verdade, pais. Daí a palavra património: o legado dos pais. Somos herdeiros. Somos herdeiros culturais. Mas a cultura é como uma fonte: está sempre a nascer água nova. A humanidade está permanentemente a criar a cultura.
E o que é a cultura? A resposta que dou a esta pergunta situa-se no espaço filosófico de uma das grandes escolas neokantianas: a Escola de Baden, no Sudoeste alemão, cujas figuras fundadoras foram, no final do séc. XIX, Willelm Windelband e Heinrich Rickert. Sintetizarei. Distinguiram eles entre a Natureza e a Cultura. Digamos, para simplificar, que a Natureza é o que está aí frente ao olhar de Adão, o primeiro homem. Nada nela é fruto da actividade humana. A Cultura é aquela realidade que o homem, pelo poder criador do seu espírito, desde sempre acrescentou à Natureza. Exemplos: a Linguagem, a Arte, a Religião, a Técnica, a Ciência, a Filosofia, o Direito, a Política … Então eu defino a Cultura desta maneira: a Cultura é aquele domínio da Realidade que o Homem acrescenta à Natureza em virtude da actividade criadora do seu espírito. Basta, creio eu, iluminar os conceitos para concluirmos, sem margem para dúvidas, que é o poder criador do Homem que instaura na Natureza, no Cosmos, aquela realidade que é a Cultura. Nós consumimos Cultura, mas primeiro temos que a criar. A Cultura não é, na sua essência, um produto industrial e comercial, como os que só vêem o dinheiro aparentemente pensam. A Cultura é o brado do triunfo do Homem no Cosmos, na Natureza.
De que forma podem a solidariedade e os valores comunitários contribuir para o fim da crise?
Eu distingo o indivíduo humano da pessoa humana. O indivíduo só pensa em si; vive em função de si, exclusivamente; o outro é para ele ou a presa ou o instrumento, útil ou perigoso. A pessoa é individual mas não se confunde com o indivíduo. A pessoa pensa no outro, só realiza as suas potencialidades e os seus sonhos e ideais com o outro. A pessoa é, por definição, solidária. Ela não separa o seu bem do bem do outro. Os dois bens enlaçam-se. Assim, enquanto o indivíduo é em si mesmo egoísta, a pessoa é solidarista. Vejo presente esta maneira de ver e de viver no próprio coração do movimento rotário. Também distingo entre valores comunitários e valores societários. A palavra sociedade vem da ideia de sócio. O que liga os sócios é o interesse. Mas a palavra comunidade vem da ideia de comum. O que liga os membros de uma comunidade é o afecto, a amizade, o amor. O interesse é importante na vida da humanidade. Mas não pode sobrepor-se ao afecto, à amizade, ao amor. A crise actual tem a sua origem no interesse, na ambição material desmedida, na voracidade ávida do lucro. Portanto, tem de ser o afecto a superar a crise. Têm de triunfar os valores comunitários sobre os meros valores societários. É esta uma bússola para ultrapassar a crise em que estamos mergulhados.
Porque defende que não há educação sem valores?
Repare, desde logo, que a própria educação, no seu conceito mais geral, é vista e vivida como um valor. Todo o ser humano o sabe. Depois, é por meio da educação que nós vamos edificando o mundo humano dos valores. Dos valores vitais, ou de sobrevivência: o homem sobrevive tanto melhor quanto mais extensa e profunda for a sua educação, a sua aprendizagem. Dos valores práticos: é pela educação que o homem aprende a relacionar-se eficazmente com a realidade. Dos valores cognitivos: o conhecimento é um valor essencial para o ser humano. Dos valores éticos: o ser humano aprende, pela educação, a distinguir com acribia o certo do errado, o bem do mal, o que deve do que não deve fazer. Dos valores religiosos: o ser humano sabe que o absurdo o lança no vazio existencial e que o sentido é o que lhe garante a harmonia e reconciliação permanente com a vida. Pergunto: como pode a educação ser alheia aos valores? A autonomia, a liberdade, a dignidade, são valores de importância transcendente para o ser humano. A educação tem que promovê-los e comprometer-se activamente com eles.
O que está na origem da corrupção?
Desde logo: a possibilidade que o homem tem de ser mau, de escolher e seguir o mal. Depois: o facto de poder escolhê-lo e segui-lo. O mundo está cheio de coisas e situações que agradam à parte má do homem: à sua ambição desmedida; à sua vontade de ter, de possuir; à sua vontade de afirmação no mundo, vontade de poder; à sua vontade de gozo material e dos sentidos; ao seu instinto de destruição; à sua inclinação para a falsidade e a mentira; ao seu fascínio pelo horror; à sua vaidade e ao seu orgulho; etc.; etc.; etc.. O corrupto é o corrompido, o apodrecido, o insano. É o homem que vive desvinculado dos valores éticos, que são os da seriedade, da honestidade, da lealdade para com o outro, os companheiros humanos. O corrupto também é o grande mentiroso, o grande falsário, que faz o mal aos outros e o nega com o maior desplante. O corrupto é um monstro, a corrupção é uma monstruosidade. Na origem da corrupção está ao mesmo tempo um egoísmo louco e um desprezo imenso, total, pelo outro, pelo outro que é o companheiro ou irmão humano. A corrupção é, no fundo, uma inumanidade. Deve ser combatida sem contemplações.
Que juízo ético e político faz sobre o funcionamento das instituições democráticas em Portugal?
Não estou satisfeito. Parece-me, de resto, que é este um sentimento bastante generalizado no universo dos cidadãos portugueses. A Justiça funciona mal, a Saúde funciona mal (o risco de colapso do Serviço Nacional de Saúde é real), a Educação funciona mal, as Finanças continuam a ser a ditadura instalada por Salazar em 1928, a insegurança é cada vez maior, o poder legislativo (a Assembleia da República) não é autónomo, sendo claramente condicionado pelo poder executivo (o Governo), o poder Judicial também acusa o mesmo condicionamento e limitações no respectivo exercício, o Presidente da República, que é o Chefe do Estado, não preside de facto à República, não pode realmente chefiar o Estado, o poder político na sua globalidade deixou-se capturar pelo poder económico e financeiro, a corrupção campeia, a impunidade é chocante. Onde pára a ética republicana, que ninguém a vê? Falo como cidadão, tenho o direito e o dever de falar livremente, de dizer o que penso. Falo com a intenção de contribuir para a melhoria da democracia portuguesa.
Acredita que o profissionalismo e a ética podem contribuir para uma diminuição da corrupção?
O mal está generalizado e é profundo. Parece-me que o profissionalismo – ou seja, a competência profissional e a assumpção ética da profissionalidade - são importantes, mas insuficientes para curar o cancro da corrupção que corrói o organismo do País. Os políticos devem apresentar propostas fortes ao povo, para que ele vote como é necessário e seja possível resolver democraticamente o grave problema que a corrupção representa.
Acredita que a falta de ética em Portugal é cada vez mais acentuada?
O mal tem vindo a crescer e atingiu proporções antes impensáveis. Mas também quero acreditar que o País dispõe de tradições éticas e de uma consciência dos valores suficientemente sólida para recusar a sua própria degradação axiológica, enfrentando o problema e resolvendo-o. Não nascemos ontem. Nascemos há quase um milénio. A Europa pode reconhecê-lo ou não, mas somos o Estado-Nação mais antigo do continente, facto que é motivo de orgulho e indubitavelmente nos honra. O regresso a padrões elevados de vida ética triunfará, acredito. Mas temos de lutar por isso.
Texto daqui
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