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domingo, 31 de março de 2013

Programa de abril

A todo momento cada um dos 34.216 Rotary Clubs está a prestar algum tipo de serviço na sua comunidade ou mesmo internacionalmente. De acordo com a estrutura do Rotary, cada clube trabalha independentemente na ampla rede que nos apoia e inspira. Uma importante peça desta rede é a Rotary World Magazine Press, composta da The Rotarian e de 31 revistas regionais em 25 idiomas.
É por isso que todos os rotários (1.214.714) devem fazer a assinatura da The Rotarian ou de uma das revistas regionais (a nossa “Portugal Rotário”). Essas publicações trazem notícias de outros clubes e dos 538 Distritos, proporcionam ideias para projetos e evidenciam o vínculo que temos com os nossos companheiros rotários.
John Kenny – Presidente 2009/10 de Rotary International

sexta-feira, 15 de março de 2013

“Comemoração do Dia Mundial da Poesia, 21 de Março de 2013”


Para assinalar o Dia Mundial da Poesia, a Biblioteca Diana-Bar vai acolher o “Estendal Poético Metropolitano”, com poemas enviados por todos os municípios e realizar a Leitura simultânea de poesia.

Descrição sumária da atividade:
1.    O “Estendal Poético” consiste na suspensão, em cordas, em espaços públicos do Concelho, de poemas de poetas locais ou com temas de referência ao Concelho ilustrados pelos alunos, desde os Jardins de Infância ao Secundário, ou pelos frequentadores dos serviços educativos das bibliotecas municipais.
2. Leitura simultânea de poesia, em todos os Municípios da Área Metropolitana do Porto, de forma a criar uma “sintonia  poética”, no dia 21 de março, quinta-feira, pelas 11H00, durante meia hora.

Este ano, a Biblioteca Municipal conta com a participação da Universidade Sénior do Rotary Club da Póvoa de Varzim para a Leitura Simultânea de Poesia, em que os seus utentes serão os protagonistas da leitura de poemas, da sua autoria ou dos seus poetas de eleição. 

segunda-feira, 21 de março de 2011

Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma nao é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
 Fernando Pessoa, in Mensagem

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

José Régio faria hoje 109 anos

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Para ser grande, sê inteiro

Para ser grande, sê inteiro:nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Ricardo Reis

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Ontem à tarde um homem das cidades - Alberto Caeiro

A propósito(?) do Memorandum de joão-luís de medeiros
Ontem à tarde um homem das cidades
Falava à porta da estalagem.
Falava comigo também.
Falava da justiça e da luta para haver justiça
E dos operários que sofrem,
E do trabalho constante, e dos que têm fome,
E dos ricos, que só têm costas para isso.
E, olhando para mim, viu-me lágrimas nos olhos
E sorriu com agrado, julgando que eu sentia
O ódio que ele sentia, e a compaixão
Que ele dizia que sentia.

(Mas eu mal o estava ouvindo.
Que me importam a mim os homens
E o que sofrem ou supõem que sofrem?
Sejam como eu - não sofrerão.
Todo o mal do mundo vem de nos importarmos uns com os outros,
Quer para fazer bem, quer para fazer mal.
A nossa alma e o céu e a terra bastam-nos.
Querer mais é perder isto, e ser infeliz.)

Eu no que estava pensando
Quando o amigo de gente falava
(E isso me comoveu até às lágrimas),
Era em como o murmúrio longínquo dos chocalhos
A esse entardecer
Não parecia os sinos duma capela pequenina
A que fossem à missa as flores e os regatos
E as almas simples como a minha.

(Louvado seja Deus que não sou bom,
E tenho o egoísmo natural das flores
E dos rios que seguem o seu caminho
Preocupados sem o saber
Só com o florir e ir correndo.
É essa a única missão no Mundo,
Essa - existir claramente,
E saber fazê-lo sem pensar nisso.)

E o homem calara-se, olhando o poente.
Mas que tem com o poente quem odeia e ama?

Alberto Caeiro

Imagem por mail

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

TEMPO - Sophia de Mello Breyner Andresen

Tempo sem amor e sem demora
Que de mim me despe pelos caminhos fora
Não procures verdade no que sabes
Nem destino procures nos teus gestos
Tudo quanto acontece é solitário
Fora de saber fora das leis
Dentro de um ritmo cego inumerável
Onde nunca foi dito nenhum nome

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Feira do Livro – Lançamento II

João Manuel Ribeiro, na Feira do Livro (2009)
No dia 3, pelas 22h00, a Feira recebe a apresentação do livro "Afrodite, ou as brumas de uma paixão incontida”, da autoria de Paula Moreira.
Trata-se uma obra de poesia de carácter erótico, totalmente dedicado ao Amor. Esta obra está “deliciosamente ligada à Mitologia Grega através da heroína Afrodite, Deusa Grega da Beleza e do Amor e cuja origem é contada na Introdução deste Volume, cada poesia, cada letra escrita, vai ligando, num elo indissociável, os vários factos mitológicos que levam ao Amor/Paixão, ao Amor Sexual”.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Feira do Livro – Lançamento I - 30 de Julho

Delações do Ego é o primeiro livro a receber honras de apresentação na Feira. Da autoria de Ricardo Campus, a obra será apresentada por Renata Pereira Correia no dia 30 de Julho, às 22h00, no “Diana Bar”.
Delações do Ego é um livro de poesia, o primeiro de Ricardo Campus, e nele o autor desvenda a soma das suas inquietudes, num ressurgir constantes de pensamentos e ideias. Nesta obra não há espaço para o silêncio, para o segredo, nem para o pudor. Tudo é tornado consciente, real e aceite. Tudo ganha forma através das palavras.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O Valioso tempo dos maduros – Mário Andrade


Retrato Mário de Andrade I. 1921-22, por Anita Malfatti

O Valioso Tempo dos Maduros...
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretári- geral do coral.
As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana, que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade…
Só há que caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!
Texto de Mário de Andrade - (escritor e poeta brasileiro, 1893-1945)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Poema para Galileu – António Gedeão

Galileu frente ao tribunal da inquisição Romana, pintura de Cristiano Banti

Estou olhando o teu retrato, meu velho paisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileu! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.

Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileu Galilei!

Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.

Eu queria agradecer-te, Galileu,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar- que disparate, Galileu!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação-
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.

Pois não é evidente, Galileu?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.

Estava agora a lembrar-me, Galileu,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.
Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se tivesse tornado num perigo
para a Humanidade
e para a Civilização.
Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.

Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas- parece-me que estou a vê-las -,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e descrevias
para eterna perdição da tua alma.
Ai Galileu!
Mal sabem os teus doutos juizes, grandes senhores deste pequeno mundo
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileu Galilei.

Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto inacessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa do quadrado dos tempos.

António Gedeão

Imagem daqui

sábado, 17 de julho de 2010

Os Paraísos Artificiais – Jorge de Senna

Na minha terra, não há terra, há ruas;
mesmo as colinas são de prédios altos
com renda muito mais alta.

Na minha terra, não há árvores nem flores.
As flores, tão escassas, dos jardins mudam ao mês,
e a Câmara tem máquinas especialíssimas para desenraizar as árvores.

O cântico das aves — não há cânticos,
mas só canários de 3º andar e papagaios de 5º.
E a música do vento é frio nos pardieiros.

Na minha terra, porém, não há pardieiros,
que são todos na Pérsia ou na China,
ou em países inefáveis.

A minha terra não é inefável.
A vida na minha terra é que é inefável.
Inefável é o que não pode ser dito.

Jorge de Senna

Caricatura de Jorge de Senna por Felizardo, no FELIZARDO CARTOON

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Vive só no presente – Alberto Caeiro

Vive, dizes, no presente,
Vive só no presente.
Mas eu não quero o presente, quero a realidade;
Quero as coisas que existem, não o tempo que as mede.
O que é o presente?
É uma coisa relativa ao passado e ao futuro.
É uma coisa que existe em virtude de outras coisas existirem.
Eu quero só a realidade, as coisas sem presente.
Não quero incluir o tempo no meu esquema.
Não quero pensar nas coisas como presentes; quero pensar nelas como coisas.
Não quero separá-las de si-próprias, tratando-as por presentes.
Eu nem por reais as devia tratar.
Eu não as devia tratar por nada.
Eu devia vê-las, apenas vê-las;
Vê-las até não poder pensar nelas,
Vê-las sem tempo, nem espaço,
Ver podendo dispensar tudo menos o que se vê.
É esta a ciência de ver, que não é nenhuma.
Alberto Caeiro
Imagem daqui

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Pedra Filosofal

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
António Gedeão daqui

domingo, 20 de junho de 2010

Poema à boca fechada – José Saramago

Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.  
Calado estou, calado ficarei,  
Pois que a língua que falo é de outra raça. 

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,  
Ácidas mágoas em limos transformadas,  
Vaza de fundo em que há raízes tortas.  

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,  
Palavras que não digam quanto sei 
Neste retiro em que me não conhecem.  

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas, 
Nem só animais bóiam, mortos, medos,  
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam 
No negro poço de onde sobem dedos.  

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,  
Que quem se cala quando me calei 
Não poderá morrer sem dizer tudo.

José Saramago - In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO

Foto daqui

quinta-feira, 17 de junho de 2010

AOS POETAS - Miguel Torga

Somos nós
As humanas cigarras.
Nós,
Desde o tempo de Esopo conhecidos...
Nós,
Preguiçosos insectos perseguidos.
Somos nós os ridículos comparsas
Da fábula burguesa da formiga.
Nós, a tribo faminta de ciganos
Que se abriga
Ao luar.
Nós, que nunca passamos,
A passar...
Somos nós, e só nós podemos ter
Asas sonoras.
Asas que em certas horas
Palpitam.
Asas que morrem, mas que ressuscitam
Da sepultura.
E que da planura
Da seara
Erguem a um campo de maior altura
A mão que só altura semeara.
Por isso a vós, Poetas, eu levanto
A taça fraternal deste meu canto,
E bebo em vossa honra o doce vinho
Da amizade e da paz!
Vinho que não é meu,
Mas sim do mosto que a beleza traz!
E vos digo e conjuro que canteis!
Que sejais menestréis
Duma gesta de amor universal!
Duma epopeia que não tenha reis,
Mas homens de tamanho natural!
Homens de toda a terra sem fronteiras!
De todos os feitios e maneiras,
Da cor que o sol lhes deu à flor da pele!
Crias de Adão e Eva verdadeiras!
Homens da torre de Babel!
Homens do dia-a-dia
Que levantem paredes de ilusão!
Homens de pés no chão,
Que se calcem de sonho e de poesia
Pela graça infantil da vossa mão.
Miguel Torga (in "Odes" - 1946)
Imagem daqui

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Pelo sonho é que vamos – Sebastião da Gama

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.
Sebastião da Gama


Foto do poeta com “a camisola poveira” daqui

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Vida

Vida

Um ano a mais
um ano a menos
que diferença faz
quando já somos
mais ou menos
mais suaves
mais sábios
mais fortes
mais justos
e de mais a mais
cromossomas

um ano a mais
um ano a menos
a vida é cais
e lá vão nossos sonhos:
barcos pequenos


um ano a mais
um ano a menos
lendo os sinais
nos esquecemos
e quando nos lembramos
é tarde demais

um ano amais
outro odiais
um ano demais
outro de menos
um ano tanto fez
outro tanto faz
um ano como nunca houve outro
um ano sem pagar e só levando o troco

um ano que vem
um ano que vai
e os mesmos ais
mais a menos


Antonio Thadeu Wojciechowski

sábado, 22 de maio de 2010

Novos Tempos





Vibramos muito
acreditamos pouco
investigamos demais
sabemos de menos.
Somos uma legião de informatizados
e vivemos um mundo autista.
Bebemos muito, nos drogamos demais
nos entendemos cada vez menos.
Multiplicamos as crenças
e as guerras
descobrimos novas galáxias
e novas armas.
Somos muitos
estamos cada vez mais sozinhos.
Inventamos um vírus
antecipamos a morte.
Acordamos cada vez mais cedo
atrasamos o prazer.
Diminuímos as distâncias
mas não nos tocamos mais.
Estouramos as bolsas
e as nações.
Estamos ganhando medalhas
e perdendo valores.
Não queremos um lugar no futuro
nossas aldeias estão cheias de muros.
Criamos uma nova forma de flor
e ignoramos a cor
entendemos de felicidade
o mesmo que entendemos do pavor
que temos em dividir o que não temos
por não entendermos nada
do nosso próprio amor.
Dirceu Walter Ramos
Foto proveniente de mail