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terça-feira, 6 de abril de 2010
segunda-feira, 5 de abril de 2010
End Polio Now – Copacabana – Rio de Janeiro – Brasil
Porque o R. C. de Copacabana é um dos nossos Clubes Contacto e porque o Companheiro António Leite se encontra de visita ao mesmo, como embaixador casual, nada mais oportuno do que divulgar este vídeo da acção em Copacabana, em favor da campanha “End Polio Now”.
Saudações rotárias para todos os Companheiros do R. C. de Copacabana e um final do ano rotário pleno, para o Presidente Alexandre Bittencourt Calmon.
ESTRATÉGIAS DA MANIPULAÇÃO
Estratégias e técnicas para a manipulação da opinião pública e da sociedade…
1 – A estratégia da distracção
Elemento primordial do controle social, a estratégia da diversão consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mutações decididas pelas elites políticas e económicas, graças a um dilúvio contínuo de distracções e informações insignificantes.
A estratégia da diversão é igualmente indispensável para impedir o público de se interessar pelos conhecimentos essenciais, nos domínios da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética.
“Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por assuntos sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar, voltado para a manjedoura com os outros animais” (extraído de “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).
2 – Criar problemas, depois oferecer soluções
Este método também é denominado “problema-reacção-solução”. Primeiro cria-se um problema, uma “situação” destinada a suscitar uma certa reacção do público, a fim de que seja ele próprio a exigir as medidas que se deseja fazê-lo aceitar. Exemplo: deixar desenvolver-se a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público passe a reivindicar leis securitárias em detrimento da liberdade. Ou ainda: criar uma crise económica para fazer como um mal necessário o recuo dos direitos sociais e desmantelamento dos serviços públicos.
3 – A estratégia da degradação
Para fazer aceitar uma medida inaceitável, basta aplicá-la progressivamente, de forma gradual, ao longo de 10 anos. Foi deste modo que condições sócio-económicas radicalmente novas foram impostas durante os anos 1980 e 1990. Desemprego maciço, precariedade, flexibilidade, deslocalizações, salários que já não asseguram um rendimento decente, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se houvessem sido aplicadas brutalmente.
4 – A estratégia do diferido
Outro modo de fazer aceitar uma decisão impopular é apresentá-la como “dolorosa mas necessária”, obtendo o acordo do público no presente para uma aplicação no futuro. É sempre mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro porque a dor não será sofrida de repente. A seguir, porque o público tem sempre a tendência de esperar ingenuamente que “tudo irá melhor amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Finalmente, porque isto dá tempo ao público para se habituar à ideia da mudança e aceitá-la com resignação quando chegar o momento.
Exemplo recente: a passagem ao Euro e a perda da soberania monetária e económica foram aceites pelos países europeus em 1994-95 para uma aplicação em 2001. Outro exemplo: os acordos multilaterais do FTAA (Free Trade Agreement of the Americas) que os EUA impuseram em 2001 aos países do continente americano ainda reticentes, concedendo uma aplicação diferida para 2005.
5 – Dirigir-se ao público como se fossem crianças pequenas
A maior parte das publicidades destinadas ao grande público, utilizam um discurso, argumentos, personagens e um tom particularmente infantilizadores, muitas vezes próximos do debilitante, como se o espectador fosse uma criança pequena ou um débil mental. Exemplo típico: a campanha da TV francesa pela passagem ao Euro (“os dias euro”). Quanto mais se procura enganar o espectador, mais se adopta um tom infantilizante. Porquê?
“Se se dirige a uma pessoa como ela tivesse 12 anos de idade, então, devido à sugestibilidade, ela terá, com uma certa probabilidade, uma resposta ou uma reacção tão destituída de sentido crítico como aquela de uma pessoa de 12 anos”. (cf. “Armas silenciosas para guerra tranquilas” )
6 – Utilizar mais o aspecto emocional do que o da reflexão
Apelar ao emocional é uma técnica clássica para o curto-circuito na análise racional e, portanto, o sentido crítico dos indivíduos. Além disso, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para ali implantar ideias, desejos, medos, pulsões ou comportamentos…
7 – Manter o público na ignorância e idiotice
Actuar de modo a que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para o seu controle e a sua escravidão.
“A qualidade da educação dada às classes inferiores deve ser da espécie mais pobre, de tal modo que o fosso da ignorância que isola as classes inferiores das classes superiores seja e permaneça incompreensível pelas classes inferiores”. (cf. “Armas silenciosas para guerra tranquilas” )
8 – Encorajar o público a comprazer-se na mediocridade
Encorajar o público a considerar “cool” o facto de ser idiota, vulgar e inculto…
9 – Substituir a revolta pela culpabilidade
Fazer crer ao indivíduo que ele é o único responsável pela sua infelicidade, devido à insuficiência da sua inteligência, das suas capacidades ou dos seus esforços. Assim, ao invés de se revoltar contra o sistema económico, o indivíduo se auto-desvaloriza e auto-culpabiliza, o que engendra um estado depressivo que tem como um dos efeitos a inibição da acção. E sem acção, não há revolução!…
10 – Conhecer os indivíduos melhor do que eles se conhecem a si próprios
No decurso dos últimos 50 anos, os progressos fulgurantes da ciência cavaram um fosso crescente entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dirigentes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” chegou a um conhecimento avançado do ser humano, tanto física como psicologicamente. O sistema chegou a conhecer melhor o indivíduo médio do que este se conhece a si próprio. Isto significa que na maioria dos casos o sistema detém um maior controle e um maior poder sobre os indivíduos do que os próprios indivíduos.
por Sylvain Timsit
Abril – Mês da Revista - Teoria da Propaganda
Análise dos meios de comunicação de massa de Noam Chomsky e Edward S. Herman
Edwars Herman Noam Chomsky
Noam Chomsky e Edward S. Herman buscam explicar que um viés sistémico dos meios de comunicação se deve a causas económicas e não a uma conspiração criada por algumas pessoas contra a sociedade.
Um viés sistémico pode ser definido como inclinação ou tendência de uma pessoa (ou de um grupo de pessoas) que impede julgamentos e políticas imparciais e justas para a sociedade entendida como um todo.
Em resumo, o modelo de Chomsky e Herman mostra que um viés sistémico contra a sociedade ocorre em decorrência de cinco filtros que as notícias precisam ultrapassar para poderem ser publicadas.
Filtros
Estes filtros combinados, distorcem sistematicamente a cobertura das notícias por todos os meios de comunicação social.
1. O primeiro filtro é a propriedade dos meios de comunicação. Ele decorre do facto da maioria dos principais meios de comunicação pertencerem a grandes empresas, especialmente a empresas de capital aberto (isto é, "corporations"). Veja o verbete corporocracia.
1. O segundo filtro é o do financiamento. Os principais meios de comunicação obtêm a maior parte da sua receita não dos seus leitores, mas sim da publicidade que vendem às grandes empresas e às pessoas responsáveis por órgãos do governo. Os meios de comunicação são, na verdade, empresas orientadas para o lucro, que obtêm com a venda do seu produto (os leitores e o seu interesse na leitura dos seus artigos) para outras empresas (os anunciantes)! Em decorrência deste acto, o modelo de Chomsky prevê que se deve esperar a publicação apenas de notícias que reflictam os desejos, as expectativas e os valores das empresas anunciantes e não dos leitores.
1. O terceiro filtro é o facto de que os meios de comunicação dependem fortemente das grandes empresas e das instituições governamentais, como a própria fonte das informações usadas, para criar a maior parte das notícias. Isto também cria um viés sistémico contra a sociedade.
1. O quarto filtro é a crítica realizada por vários grupos de pressão que procuram as empresas dos meios de comunicação para os pressionar, caso eles saiam de uma linha editorial que esses grupos acham a mais correcta (isto é, mais de acordo com os seus interesses, do que de toda a sociedade).
1. As normas da profissão jornalista, o quinto filtro, referem-se aos conceitos comuns divididos por aqueles que estão na profissão do jornalismo.
O modelo de Chomsky e Hermann descreve como os meios de comunicação formam um sistema de propaganda descentralizado não conspiratório que, no entanto, é extremamente poderoso. Esse sistema cria um consenso entre a elite da sociedade sobre os assuntos de interesse público, estruturando um debate que possui aparência de consentimento democrático, mas que na verdade atende apenas os interesses dessa elite.
No entanto, isso é feito a expensas da sociedade como um todo que, naturalmente, se compõe de mais pessoas que aquelas que compõem a sua elite. Uma conspiração, nos Estados Unidos, é um acordo entre duas ou mais pessoas para cometer um crime ou realizar uma acção ilegal contra a sociedade. Para os autores o sistema de propaganda não é conspiratório porque as pessoas que dele fazem parte do sistema não se juntam expressamente com o objectivo de lesar a sociedade, mas é isso mesmo que acabam por fazer em função dos viéses descritos.
Teste da Teoria
Chomsky e Herman testaram o seu modelo empiricamente tomando "exemplos pareados", isto é, pares de eventos que são objectivamente muito semelhantes entre si, excepto que um deles se alinha aos interesses da elite económica dominante, que se consubstanciam no interesse das grandes empresas, e o outro não se alinha.
Eles citam alguns de tais exemplos para mostrar que nos casos em que um " inimigo oficial" da elite realiza "algo" (tal como o assassinato de um líder religioso), a imprensa investiga intensivamente e devota uma grande quantidade de tempo à cobertura dessa matéria.
Mas quando é o governo da elite ou o governo de um país aliado que faz a mesma coisa (assassinato do religioso ou coisa ainda pior) a imprensa minimiza a cobertura da história.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
O método CLE – Uma proposta de alfabetização para países em desenvolvimento
Para quem não se deu ao trabalho de clicar para conhecer o método, aqui vai o texto completo de quem sabe, para quem quer saber...
Glória Maria Guiné de Mello Carvalho - Professora Assistente de Tradução no Instituto de Ciências Humanas e Sociais da UFOP; Chefe do Departamento de Letras e professora da Metodologia CLE.
A metodologia CLE de ensino surgiu a partir de reflexões que buscavam uma forma de eliminar o fracasso escolar, principalmente nos países em desenvolvimento.
A metodologia CLE de ensino surgiu a partir de reflexões que buscavam uma forma de eliminar o fracasso escolar, principalmente nos países em desenvolvimento.
O CLE – Concentrated Language Encounter – que traduzo como Abordagem Linguística Concentrada, começou a ser desenvolvido na Austrália, no início da década de 80, quando a equipe da Traeger Park School, no norte do país, iniciou um projecto para combater os altos índices de fracasso escolar entre as crianças aborígenes.
Este fracasso costuma ser, em grande parte, atribuído à origem dos alunos. Acredita-se que as crianças vindas da zona rural ou pertencentes às camadas mais pobres da população terão maiores dificuldades durante a aprendizagem porque começam a frequentar a escola com pouquíssimo ou nenhum contacto prévio com o mundo da escrita. As crianças cujos pais são alfabetizados e que têm acesso a livros e outros materiais impressos teriam a vantagem de já conhecer algumas formas e convenções da língua escrita, bem como a sua utilidade, que ainda precisam ser descobertas pelas outras crianças.
Entretanto, Richard Walker, Saowalak Rattanavich e John Oller, Jr., autores de Teaching All The Children to Read, livro que apresenta a metodologia CLE de ensino, acreditam, baseados na experiência australiana e no projecto desenvolvido na Tailândia, que os altos índices de fracasso escolar se devem mais ao que ocorre na sala de aula do que à origem dos alunos e/ou à falta de contacto prévio com a leitura e a escrita.
A partir da constatação de que, em qualquer parte do mundo, não importa qual seja a origem dos alunos, há um enorme processo de exclusão daqueles que simplesmente não se ajustam aos métodos tradicionais de ensino, não compreendem o que acontece na sala de aula e não aprendem a aprender fora do ambiente escolar, mas apenas a executar o que lhes é pedido, foi criada a metodologia CLE.
A primeira proposta do CLE é mudar o procedimento na sala de aula tradicional, em que o professor dirige todas as actividades e os alunos têm pouquíssimas oportunidades de interagir com ele e com os colegas. Foram, então, desenvolvidas actividades em que os alunos aprendem a ler e escrever ao mesmo tempo que adquirem habilidades não-linguísticas, úteis para sua vida quotidiana. Desta forma, adquirem gosto pela leitura e pela escrita e tornam-se agentes da própria aprendizagem.
A metodologia CLE pode ser usada em qualquer parte do mundo, em qualquer língua, para alfabetizar crianças, jovens ou adultos. É organizada em três níveis, ao fim dos quais os alunos estarão em condições de ingressar no mercado de trabalho, quebrando o círculo vicioso de perpetuação da miséria pela ignorância.
Isso ocorre porque um programa não pode ser transportado de um lugar para outro. Cada programa deve ser desenvolvido no local onde será implantado e, de preferência, pelos professores. Desta forma, as necessidades e a cultura local são respeitadas.
O ponto de partida é um texto relacionado a necessidades reais, do dia-a-dia, como hábitos de higiene, por exemplo, ou a apresentação de uma actividade “passo-a-passo”. Com crianças são utilizadas histórias simples que, além de conterem os componentes de encanto e fantasia, ajudam na interiorização de conceitos e valores para a vida.
No caso de principiantes, são preparadas Unidades apresentadas e trabalhadas em cinco passos:
1º Passo – Leitura compartilhada
2º Passo – Relato e dramatização da história
3º Passo – Negociação do texto
4º Passo – Confecção do Livro Colectivo
5º Passo – Actividades Linguísticas através de Jogos
No 1º Passo o professor deve utilizar todos os recursos possíveis para que o texto seja compreendido, a começar pela exploração da capa do livro e das ilustrações, bem como expressão facial e entoação de voz.
No 2º Passo os alunos contam a história e representam-na. É o momento de se expressarem e de demonstrarem o que entenderam. As crianças mais tímidas não devem ser forçadas a representar papéis de destaque. Podem ser narradoras e assumir papéis mais simples até se sentirem confiantes.
No 3º Passo os alunos, com o estímulo do professor, contam a história como a compreenderam, e o professor escreve-a. É importante notar que o texto negociado não é uma reprodução da história ouvida e representada. Isto significaria uma falha na execução do 2º Passo.
No 4º Passo, após diversas leituras do texto negociado, os alunos fazem um Livro Colectivo. Este é constituído do texto negociado, que os próprios alunos escrevem e ilustram e que será a base das actividades do 5º Passo.
O 5º Passo é constituído de actividades linguísticas através de jogos, sempre a partir do texto do Livro Colectivo. Alguns exemplos de jogos são:
a) Reconhecer palavras contidas no Livro Colectivo com a utilização de fichas, bingo, caça palavras, etc.
b) Ler sentenças que contenham palavras do Livro Colectivo, trabalho em duplas.
c) Escrever palavras do Livro Colectivo, forca, ditado.
Como se pode notar, a dificuldade das tarefas realizadas através de jogos vai aumentando até se atingir o ponto em que os alunos criam novos textos, oralmente e por escrito.
No caso de uma actividade “passo-a-passo”, somente o primeiro e o segundo passos são diferentes. Em primeiro lugar demonstra-se como fazer a actividade – a germinação do feijão, por exemplo – e, em seguida, os alunos reconstroem-na. A actividade também pode ser demonstrada por um profissional, como é o caso de noções de higiene e saúde ou trabalhos manuais.
Não há uma duração preestabelecida para as unidades. Elas devem durar o tempo necessário para que os alunos aprendam os conceitos, leiam e escrevam com desenvoltura. A avaliação vai sendo feita à medida que as actividades são realizadas. Calcula-se que, durante um ano, sejam trabalhadas entre 10 e 15 unidades.
O CLE, por destinar-se também a alunos que precisam aprender uma segunda língua, como é o caso da Austrália, da Índia e da Tailândia, por exemplo, baseia-se no processo de aquisição das quatro habilidades linguísticas: ouvir, falar, ler e escrever. Utiliza, portanto, elementos da Abordagem Natural e da Abordagem Comunicativa. Isso reflecte-se em todos os passos, desde a leitura da história até as actividades linguísticas através de jogos, porque há uma ênfase no uso adequado da língua em diversos contextos sociais e o professor e os alunos servem-se também, como dito anteriormente, da expressão facial e da expressão corporal para negociar os significados.
O ensino da leitura é visto, portanto, como um processo interactivo entre autor e leitor, em que o raciocínio desempenha um papel central, estimulado pela língua falada e pela expressão facial.
O processo de ensino CLE, parte então de textos ou livros de história ou de um texto “passo-a-passo” e, activando constantemente o raciocínio, utiliza-se da língua falada (ouvir e falar) e da língua escrita (ler e escrever) com o auxílio da expressão facial.
Isto remete-nos para um princípio fundamental do CLE, o scaffolding, que é o apoio através da contextualização.
Todas as actividades linguísticas têm origem num texto ou história que, inicialmente, é ouvida, mas não de forma passiva.
A exploração das ilustrações estimula o raciocínio e já constitui uma primeira oportunidade de expressão oral. Este é o passo inicial para a contextualização. Nos passos seguintes, todas as actividades são realizadas a partir do contexto da história ou da actividade “passo-a-passo”, o que praticamente elimina a possibilidade de algum aluno ficar excluído por não compreender o que está a acontecer.
Devemos lembrar, também, que a articulação clara das palavras é um apoio para a escrita correcta, e as actividades de escrita são precedidas pelo trabalho oral.
Como foi dito no início desta exposição, Richard Walker, Saowalak Rattanavich e John Oller, Jr. atribuem grande parte do fracasso escolar aos procedimentos tradicionais em sala de aula. A metodologia CLE propõe mudanças nesses procedimentos.
Uma descrição do que ocorre numa uma sala de CLE deixará claro o ponto de vista dos autores:
• as actividades dos alunos estão sempre relacionadas com contextos da vida real que sejam importantes para eles;
• os alunos são estimulados a trabalhar de maneira independente, ao invés de seguirem apenas instruções do professor;
• são utilizados jogos e canções para dar mais vida à aprendizagem;
• os alunos habituam-se a ler e fazer actividades em que aprendem a língua fora da escola;
• a aprendizagem ocorre através da interacção aluno-aluno e alunos-professor;
• a negociação de significados é constante, com a mediação do professor;
• não se prescreve um ritmo de aprendizagem; os alunos participam das actividades independentemente do seu estágio de aprendizagem;
• muitas actividades são desenvolvidas em grupo, o que estimula a troca de ideias e a cooperação;
• os alunos responsabilizam-se pelas próprias actividades;
• a disciplina é positiva porque os alunos estão voltados para o trabalho que estão a realizar;
• ao assumir responsabilidades os alunos desenvolvem a auto-confiança.
Estes procedimentos fazem com que a alfabetização aconteça rapidamente porque os alunos estão constantemente a realizar actividades significativas, ligadas à leitura e à escrita.
Os objectivos que se buscam atingir são:
• trabalhar as unidades até ao fim, através dos cinco passos, para que os alunos aprendam a agir com independência;
• promover a participação intensa dos alunos porque, quanto maior for o seu envolvimento, mais rápida será a aprendizagem;
• incentivar os alunos a desenvolverem as suas características pessoais, além da auto-confiança e da disposição de fazer tentativas e correr riscos para dominarem uma nova habilidade.
Também é importante lembrar que um programa CLE requer poucos recursos para ser implantado. São necessárias folhas de papel de aproximadamente 60cmX40cm, em que são escritos, o texto negociado com os alunos e o Livro Colectivo, pincel atómico, lápis pretos, lápis de cor, tesoura, cola, agrafador e outros materiais simples para Unidades “Passo-a-Passo”. Entre o 4º e o 5º Passos os alunos podem fazer livros individuais que vão formar a sua pequena biblioteca. O custo do material por turma de 30 alunos é estimado em US$60.00 por ano (€ 44.55).
Uma última observação que gostaria de fazer é que, na Tailândia, a metodologia CLE foi adoptada na rede oficial de ensino quando o Ministério da Educação constatou os resultados obtidos nos primeiros projectos implantados em regiões isoladas e com altos índices de analfabetismo e de fracasso escolar e que, ao longo de pouco mais de dez anos, o analfabetismo foi praticamente erradicado daquele país. Daí o seu lema ser “transformar o fracasso em sucesso”.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Como o CLE (Concentrated Language Encounter) começou
“No processo de aprendizagem, só aprende verdadeiramente aquele que se apropria do sentido, transformando-o em apreendido, com o que pode, por isso mesmo, re-inventá-lo; aquele que é capaz de aplicar o aprendido-apreendido a situações existenciais concretas”. Paulo Freire
O Programa CLE (Concentrated Language Encounter) é um método de alfabetização que foi criado na Austrália há mais de 30 anos, mas actualmente é internacionalmente aceite.
Richard Walker, educador e rotário, e Brian Gray, pesquisador da Brisbane College of Advanced Education, desenvolveram a metodologia com o propósito de educar aborígenes australianos, cujos diversos idiomas e cultura singular apresentavam desafios de alfabetização quase intransponíveis. No começo da década de 80, o CLE foi implementado na escola Alice Springs com resultados surpreendentes.
Educadores de áreas rurais da Tailândia enfrentavam problemas similares, o que levou Walker a trabalhar com eles para desenvolver um CLE específico para o país.
Inicialmente o projecto era pequeno, concentrando-se em escolas do Ensino Básico na província de Surin, mas com o tempo espalhou-se às províncias vizinhas. Em 1987, a Rotary Foundation aprovou um subsídio 3-H para um projecto de cinco anos, que acabou por levar à adopção do CLE por todas as escolas públicas do país.
O projecto desenvolvido na Tailândia serviu de modelo a programas em larga escala e ajudou a estruturar as directrizes para o treino dos professores. O método é actualmente conhecido como Projecto de Alfabetização Iluminar (Lighthouse), com os centros existentes provendo apoio a novas localidades, o que permite que o CLE se expanda rapidamente.
Desde os anos 90, os rotários introduziram o CLE em inúmeras regiões, inclusive no Laos, no Nepal e no Bangladesh.
CLE (Concentrated Language Encounter) - Uma proposta de alfabetização para países em desenvolvimento (Clique para conhecer o método)
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Entrevista com Richard Walker, Past-Governador do Distrito 9630, Austrália, conhecido como o pai do Programa CLE (Concentrated Language Encounter).
Antes de se dedicar à educação de professores, Richard foi ele próprio professor do Ensino Básico e Secundário e Director de escola. Em 1992, recebeu um PhD honorário do rei da Tailândia, em reconhecimento pela sua extraordinária contribuição à educação naquele país, através do método CLE. Bob Aitken, chefe de redacção da revista Rotary Down Under, entrevistou Richard para o Global Outlook.
Que tipo de abordagem usa em relação à alfabetização?
Ajudar alguém a ler e escrever é mais parecido com o ensinar a nadar do que o ensinar matemática ou geografia - o objectivo é desenvolver habilidades que serão de grande utilidade durante a vida do aluno.
Como é que o CLE e o Rotary se tornaram parceiros?
Em 1984, atendi a um pedido para desenvolver cursos de alfabetização para a Srinakharinwirot University na Tailândia, e quando me aposentei em 1985, visitei o país para tentar desenvolver um trabalho em maior escala, primeiro em inglês e depois em tailandês. Em 1986, envolvi-me com um projecto de Subsídio Equivalente e a conexão entre o Rotary e o CLE estava formada. Em 1997-98, o ex-presidente do RI Glen Kinross solicitou que os clubes utilizassem a metodologia CLE em outros países.
O que é que todos os rotários deveriam saber sobre o programa CLE?
O programa de alfabetização CLE é actualmente implementado em várias regiões do mundo e alguns países adoptaram-no a nível nacional. Os rotários devem também saber que o Rotary tem contribuído enormemente para a redução do analfabetismo a nível mundial.
Rotary e a Alfabetização
“Rotary é uma organização internacional, com 1,2 milhão de sócios, líderes profissionais e empresariais, que prestam serviços humanitários em mais de 200 países e regiões geográficas, promovendo a Paz e a Boa Vontade no Mundo.”
Em 1985, o Rotary declarou que níveis básicos de alfabetização são uma pré-condição para a Paz. Mais de metade dos 33 mil Rotary Clubs em todo o mundo oferecem assistência a diversos níveis de analfabetismo e treino para professores. Muitos dos projectos podem ser facilmente copiados, o que aumenta a sua abrangência e impacto.
Esses projectos beneficiam crianças dentro e fora de instituições de ensino, adultos analfabetos (sobretudo mulheres), grupos especiais e também professores, ao oferecer-lhes o treino. O objectivo é inspirar, guiar e apoiar as autoridades locais no sentido de diminuir os níveis de analfabetismo em países em desenvolvimento. O Projecto Lighthouse realizado na Tailândia, por exemplo, foi tão bem-sucedido que o governo daquele país o adoptou como um programa nacional. Iniciativas semelhantes foram financiadas por Rotary Clubs na Austrália, Bangladesh e África do Sul.
Exemplos de projectos de alfabetização:
Educação pré-escolar
Quanto mais cedo a criança for alfabetizada, melhor será a sua aprendizagem no futuro. Os rotários trabalham com pais e educadores para incentivar o hábito da leitura desde a mais tenra idade. Aproximadamente 115 Rotary Clubs apoiam actualmente a Dollywood Foundation’s Imagination Library, a qual proporciona a crianças um livro por mês, do nascimento até os cinco anos de idade. O programa ajuda também a fortalecer laços familiares, incentivando a interacção entre pais e filhos durante os momentos de leitura. Hoje a Imagination Library existe em 47 estados, além de partes do Canadá e do Reino Unido e já forneceu mais de 15 milhões de livros.
Programas de alfabetização de adultos
Muitos adultos em países desenvolvidos e em desenvolvimento não possuem as habilidades necessárias para manter um emprego ou desempenhar tarefas básicas do dia-a-dia. Os obstáculos criados pelo analfabetismo, desde a dificuldade em achar um emprego, até à pressão constante para ocultar o problema, trazem consequências graves.
O Rotary Club de Port Harcourt, na Nigéria, patrocinou um projecto chamado “Provisão de Materiais Educacionais para Adultos e Educação Informal”, que visava reduzir a população de adultos analfabetos e fortalecer a iniciativa de educação básica universal do governo federal.
Alfabetização de mulheres
A taxa de analfabetismo entre as mulheres é muito mais alta do que entre os homens, pois em muitas partes do mundo o ensino é negado às meninas. Estudos rlativos a países de baixo rendimento mostram uma diferença de 20% entre os sexos.
O Rotary Club de Budge Budge, Índia, fundou cinco centros de alfabetização em vilarejos remotos, atendendo, entre outros, crianças e meninas. Para atrair este público, é oferecido treino profissional, como costura e confecção de cestas e sacolas de papel. Com essas competências, as mulheres já se podem sustentar.
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